exposição “Símbolos Identitários dos Romeiros I Bordões e Cevadeiras”2

ROMEIROS QUARESMAIS

1
A quaresma está chegando
A velha tradição continua
Nossos Romeiros se preparando
Para poderem sair há rua.

2

Nas romarias tradicionais
Junta-se um povo fiel
Aos Romeiros Quaresmais
Da ilha de São Miguel.

3
Crianças e homens açorianos
Caminhando em oração
Acerca de quinhentos anos
Que se mantém esta tradição.

4
Os Romeiros Quaresmais
É tradição sem maravilha
Onde vai filhos irmãos e pais
Rezando por toda a ilha.

5
Assim começaram os votos
Das romarias dinâmicas
Pelos muitos e fortes terramotos
E grandes erupções vulcânicas.

6
Vila Franca foi destruída
Quase na sua totalidade
Ainda chora comovida
Por tamanha infelicidade.

7
Grandes terramotos se expande
E as erupções cruelmente
Atingindo a Ribeira Grande
Devastando a sua gente.

8
Ao verem tal desgraça
Soluçando em sua voz
Diziam ó Deus pela tua graça
Tem misericórdia de nós.

9
Nossos homens aflitos
Outros soterrados a morrer
Mulheres e crianças aos gritos
Sem saber o que fazer.

10

Mães aos filhos agarradas
E em lágrimas se esvaziam
Vendo suas casas derrubadas
Enquanto as terras se abriam.

11
A população vilafranquense
Viu mais forte calamidade
Também o ribeiragrandense
Com forte lastimidade.

12
Debaixo de fortes derrocadas
Estava Vila Franca a gemer
Vendo almas destroçadas
E a nossa ilha a tremer.

13
Lastimando e fazendo votos
A Ribeira Grande chorava
Ao ver os grandes terramotos
Que quase tudo derrubava.

14
Tristes épocas foram essas
Que nossos antepassados viram
Começaram a fazer promessas
Foi assim que os Romeiros surgiram.

15
Pedindo e agradecendo há Virgem
Unindo um povo fiel
Eis aqui está a origem
Dos Romeiros de São Miguel.

16
Foi em quase todas as freguesias
Essas calamidades reais
Nasceu então as romarias
Que são os Romeiros Quaresmais.

17
Por a tradição ser a mesma
Com amor fé e paciência
Escolheram então a quaresma
Para mais forte penitência.

18
Por ser os dias mais chuvosos
Com frio fora do normal
Há sempre corações maldosos
Que dos romeiros dizem mal.

19
Porque não sabem a razão
Pensam em suas ironias
E por não conhecer a tradição
Nem tão pouco as romarias.

20
Vejo velhinhos sem poder
Dando passadas amargas
Outros coitados a sofrer
Com os pés cheios de chagas.

21
Caminhando na esperança
Por um voto que foi feito
Há frente vai uma criança
Com a cruz de Cristo ao peito.

Por: João Silvério Sousa
(Publicado na edição impressa de março de 2017)

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