Guilhermina BArbosa Os de Ca Fevereiro 2017_1

A 20 de Julho de 1935 nascia, na freguesia de Santa Cruz, Lagoa, a poetisa Guilhermina Maria Barbosa. Enfermeira de profissão, esta poetisa lagoense nunca deixou que a sua veia poética secasse, dedicando-se à poesia popular de forma entusiasta e muito saudável – impregnando-a de amor, gratidão, cor e amizade.

A poesia popular de Guilhermina Maria Barbosa é uma poesia colorida, bem à semelhança da pessoa que a transporta diretamente para o papel. Reparando no prefácio da sua primeira obra – Em jeito de partilha -, e citando o Padre Alexandre Medeiros, a “Gui”- como ele a trata -, “encontra a facilidade de vislumbrar um raio de luz no meio da noite, um arco-íris de alegria na tempestade de tristeza”.

Se há poetas e poetisas que escrevem para si e sobre si, é justo dizer que, aqui, neste caso em particular, temos alguém que escreve para os outros, para os erguer, para os elevar e valorizar – o que acontece nas diversas dedicatórias e homenagens que escreve. Na vertente da poesia popular, Guilhermina Maria Barbosa é uma verdadeira sábia na arte – muito subestimada, ainda – de encontrar a rima certa, de colocá-la no verso certo, no momento certo, de forma oportuna, trabalhada e bem cuidada. E como toda a poesia, é também importante que a poesia popular seja sentida – e esta poetisa lagoense sente-a, verdadeiramente.

Com duas obras publicadas (Em jeito de partilha, 2012, e Relato de Vivências, 2015), a “Gui” honra-nos, a todos, com a sua poesia de cariz popular.

Profundamente religiosa, mantém, com Deus, uma relação de grande proximidade – relação essa que transporta, de forma vívida e assídua, para a sua escrita. Marcada sempre por uma profunda gratidão à vida e a Deus, a poesia de Guilhermina Maria Barbosa pauta-se, sempre, por um uso muito medido, quase estético, das palavras.

Usa um vocabulário simples, que chega, sem dificuldades e discriminações, a todas as pessoas.

Considerando que “é grande o valor da vida” (in Relato de Vivências, 2015), a mesma, num dos seus vários poemas, afirma que se sente agradecida “pelo gosto de viver”. Este é, certamente, um exemplo de profunda e notável gratidão. Apelidando, quem passa na rua, como “irmã” ou “irmão”, Guilhermina pratica uma poesia tão doce quanto dócil. Uma poesia tão religiosa quanto amiga. Uma poesia tão simples quanto verdadeira e transparente.

Sem esquecer a sua freguesia, sendo que, com ela, mantém uma relação de grande cumplicidade e proximidade, esta poetisa natural de Santa Cruz, celebra, com mérito popular, quem a marcou. No seu segundo livro – Relato de Vivências – é possível que nos arregalemos com alguns versos expostos na contracapa do dito livro: “Vivenciar faz parte da vida.

Na vida tudo tem um sentido positivo, se o soubermos encontrar.
As vivências positivas transmitem-nos alegria e felicidade.
As vivências menos boas, se forem aceites com sabedoria, poderão contribuir também para a busca da felicidade”.
É esta a mensagem. É com isto que temos de aprender.
Obrigado, “Gui”.

JTO
(Publicado na edição impressa de fevereiro de 2017)

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