O projeto da Oratória, intitulado “Cânticos da Tarde e da Manhã”, de Teresa Salgueiro, já existe há alguns anos e a sua origem surge na gravação do disco “ O Mistério”, gravado em 2012, sendo o primeiro disco de música original gravado no Convento da Arrábida.

A Oratória “Cânticos da Tarde e da Manhã”, de Teresa Salgueiro, foi apresentada, esta quinta-feira, dia 18 de maio, no dia de inauguração da Coleção Visitável da Igreja Matriz de Lagoa, numa simbiose perfeita conjugada com uma igreja repleta de pessoas em comunhão e admiração para com a voz da cantora.

O projeto apresentado por Teresa Salgueiro surge de um desafio lançado pelo Pe. Rodrigo Mendes de cantar as músicas da liturgia. Assim sendo, a ex-vocalista dos Madredeus propôs fazer uma adaptação da instrumentação, utilizando de forma invulgar o contrabaixo e o acordeão, instrumentos poucos usados e muitas vezes rejeitados neste tipo de música.

“Isto são cânticos muito antigos, são tudo músicas portuguesas, para poemas da liturgia de várias épocas, penso que o mais antigo é do século VI”, explica Teresa Salgueiro ao Jornal Diário da Lagoa.

A Oratória de Teresa Salgueiro, apesar de ser cantada ao vivo, não é feita num formato de concerto, mas sim completada pela leitura de alguns textos bíblicos, criando assim um verdadeiro momento de oração.

“Tem sido para mim uma alegria extraordinária, é muito diferente este contato com as comunidades daquilo que nós temos quando fazemos concertos em teatros, lugares de espetáculo comuns. Nas igrejas é mobilizada toda uma comunidade, é uma forma de conhecer Portugal e os portugueses, que é muito enriquecedora porque é sempre diferente”, explica a cantora.

Teresa Salgueiro revela que esta Oratória deu origem a outra, de cânticos Marianos, que ainda não foi gravada, o convite já foi feito por parte do Seminário de Braga e será, portanto, um projeto futuro.

“É realmente uma graça, são momentos que não passam mais e que me enriquecem muito”, salienta a artista, referindo que é necessário uma fé profunda para transmitir a sua mensagem, mas principalmente ter uma devoção, sendo que, no seu caso em particular, essa devoção é por Jesus Cristo e Deus.

Teresa Salgueiro relembra que para além da fé e da devoção, as músicas são verdadeiros poemas “maravilhosos” que nos levam para um mundo com uma grande riqueza espiritual.

“Eu sou uma pessoa com grande fé e esperança também. Esta música e estes poemas têm lá tudo, são poemas extraordinários, duma elevação e de uma entrega. São poemas de pessoas que têm a capacidade de descrever a sua relação com Deus, com a criação, com o mundo e com a construção de um mundo melhor para todos nós. A procura de um mundo perfeito à luz de um mundo criado”, explica a artista, demonstrando que a sua inspiração provém principalmente das palavras e do louvor pela criação.

Para a cantora, a Oratória é sempre um momento de comunhão entre si e o público e é por esse motivo que, no início de cada espetáculo, é pedido que ninguém aplauda entre cada canção, de forma a não quebrar o momento de meditação e de oração de cada pessoa.

Como diz o provérbio “cantar é rezar duas vezes”, para Teresa Salgueiro a Oratória permite a meditação, contemplação, louvor à vida e à beleza da criação, sendo o local em si, as igrejas, um espaço que transporta uma grande carga emocional.

Mais propriamente na Igreja Matriz de Lagoa, a cantora confessa ter sentido um grande carinho por parte de toda a comunidade, sentindo-se emocionada principalmente por estar a apresentar a sua Oratória pela primeira vez nos Açores.

Para o Pe. Nuno Maiato, o balanço do primeiro dia da inauguração da Coleção Visitável da Matriz de Lagoa, no Dia Internacional dos Museus, foi muito positivo e emotivo.

“Chegar a este dia e viver tudo aquilo que vivemos, nestes dois momentos que estavam programados e que aconteceram de manhã e ao fim da noite, de facto foi muito gratificante. Valeu a pena remar contra a maré. Sabemos que o mar vai continuar bravio, mas queremos levar este projeto a bom porto”, refere Pe. Nuno Maiato ao Diário da Lagoa, explicando que algumas pessoas duvidam deste projeto, principalmente porque tudo o que é novidade é dificilmente aceite de imediato. Concretamente, este projeto não é uma realidade frequente nas paróquias da ilha de São Miguel e traz muitas novidades. Por essa razão, algumas pessoas têm dificuldades em ver aquilo que foi projetado e sonhado durante três anos. Porém, depois de visitar a Coleção e perceber todo o trabalho desenvolvido, quem duvidava do mesmo, teve a coragem de mudar de opinião, percebendo melhor os objetivos desta Coleção Visitável, que são: preservar e divulgar.”

Relativamente à Oratória da Teresa Salgueiro, o Pe. Nuno Maiato sentiu-se muito satisfeito e confessa que não estava preparado para sentir o que sentiu: “senti-me com os pés no chão, mas com o coração no Céu”.

“Foi de facto um momento com uma carga espiritual muito forte: todos os silêncios, todos os acordes, todas as palavras ditas, todo o jogo cénico de luzes, de velas, tudo. Muitos daqueles cânticos ou hinos que foram cantados eu conhecia-os e acostumei-me a ouvi-los cantados com muita ligeireza, e ouvi-los na voz da Teresa ganhou uma maternidade espiritual que me tocou, sobretudo os cânticos referentes a Nossa Senhora”, refere o Pe. Nuno Maiato ao Jornal Diário da Lagoa.

A inauguração da Coleção Visitável da Igreja Matriz de Lagoa, com os seus dois momentos diversificados e inéditos, criou uma união complementar entre ambos, proporcionando a celebração do Dia Internacional dos Museus com muita alegria e emoção para toda a comunidade lagoense.

DL/AS

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