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Há muito tempo que estou com vontade de escrever uma sentida vénia às famílias que vivem com um orçamento mensal reduzido, mas sem prejuízo de serem umas ricas famílias.

Quando fui pároco na ilha de São Jorge, comecei a aperceber-me desta realidade e depois de sete anos de pastoreio na Lagoa, não tenho dúvidas da sua existência, nem reservar em manifestar o meu respeito e admiração.

São casais que têm dois ou mais filhos, estão bem integradas na comunidade, têm casa e carro próprios e como rendimento mensal têm apenas um salário médio ou dois salários mínimos. Os seus filhos são saudáveis, bons alunos, na maior parte frequentam o ensino superior, são bons atletas e/ou músicos, alguns até estão no quadro de honra de uma instituição académica, cívica ou cultural. È verdade que partilham as fragilidades e dificuldades inerentes a toda e qualquer família, mas são casos de sucesso e, por isso, motivo de estudo e distinção.

Não sei se tecnicamente são pobres ou não – se os seus rendimentos anuais estão acima da linha que se definiu como medida para se avalizar o risco de pobreza de um agregado familiar – mas sei, pelo que vejo e pelo que converso com alguns membros destas famílias, que estão muito longe de serem ricas e, que todos os dias tem que fazer contas de dividir para que a soma ao fim do mês seja a estabilidade. Por isso, seria interessante fazer-se um estudo científico – se existe eu desconheço – do modo como estas famílias gerem as suas economias, para que todos, os que vivem com maior ou menor rendimento, os agentes de ação social, pudéssemos aprender como se fazem omeletes (de sucesso) com poucos ovos.

Além do estudo, venha a distinção! E a propósito da cerimónia de entrega dos Prémios Nobel -que acontece todos os anos, no aniversário da morte de Alferd Nobel – no dia 10 de dezembro, porque não um Nobel da Economia para estas famílias? Estou certo que o criador destes prémios estaria de acordo, uma vez que a sua família é um exemplo feliz de economia familiar. Quando a fábrica de seu pai faliu, Alferd tinha apenas 4 anos, e sua infância foi certamente marcada por algumas privações, mas os pais não perderam o rumo, conseguiram uma formação de excelência aos seus filhos e mais tarde reerguer a fábrica onde Alfred pôde desenvolver a sua grande invenção a dinamite.
Na verdade, seria explosivo reconhecer o mérito destas famílias Açorianas e de tantas outras pelo mundo fora. Seria ainda mais explosivo do que um escritor de canções receber o Nobel da Literatura, mas igualmente inspirador para toda a humanidade.

Pe. Nuno Maiato
10.12.2016

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