Nas últimas semanas, a Direção Geral da Saúde tem manifestado preocupação relativamente ao aumento de casos de Sarampo em Portugal, o que já constitui um surto, segundo a mesma entidade.

O Sarampo é uma infeção viral, muito contagiosa, que se transmiti pessoa a pessoa por via aérea, por gotículas de saliva que se espalham pelo ar, por aerossóis ou por contato direto com secreções nasofaríngeas de pessoas infetadas.

Esta virose tem um período de incubação que varia entre 10 e 18 dias, depois deste período, a pessoa infetada apresenta os sintomas da doença. Estes podem durar entre 8 a 14 dias, sendo que a maioria dos casos tem duração de 10 dias.

O quadro clínico do Sarampo compreende o aparecimento de febre igual ou superior a 38ºC, lesões na mucosa bucal, que na clínica são conhecidas por lesões de Koplik, tosse, coriza, rinite, otite, conjuntivite, fotofobia e exantema máculo-papular no corpo. Este exantema carateriza-se por pequenas manchas vermelhas que surge primeiro no rosto e se estendem por todo o corpo.

Habitualmente o Sarampo é uma doença benigna, mas pode ser grave ou até mesmo fatal. As complicações são muitas e podem atingir diversos órgãos evoluindo para otites médias que causam surdez, conjuntivite com ulceração da córnea que pode levar à cegueira encefalite, pneumonia entre outras.

Depois de diagnosticado o Sarampo é tratado recorrendo a medidas de suporte e conforto do doente, podem ser prescritos analgésicos e antipiréticos como o ibuprofeno e paracetamol, e suplementos de vitamina A. Atenção que estão contra-indicados medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico. O seu médico também poderá prescrever antibióticos caso ocorram infeções bacterianas associadas.

Não existe, portanto, tratamento específico para eliminar o vírus do Sarampo.

As pessoas não vacinadas ou que não tenham tido a doença podem ser facilmente infetadas se expostas ao vírus, sendo a vacinação uma medida preciosa na prevenção do Sarampo.

O Plano Regional de Vacinação é composto, entre outras, pela vacina anti sarampo, parotidite (papeira), e rubéola. Às crianças é administrada a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda dose aos 5 anos. Adultos nascidos antes de 1970 não necessitam de fazer a vacina, salvo se houver risco de exposição e se a pessoas nunca tenha tido a doença. Esta situação pode acontecer, por exemplo, em caso de viagens para países com taxas elevadas da doença. Neste sentido é recomendada uma consulta médica do viajante. Aos adultos nascidos após 1970 que não tenham contraído a doença, deverá ser administrada uma dose da vacina. Os profissionais de saúde deverão ter duas doses da vacina. Mulheres em idade fértil não poderão engravidar nos três meses seguintes à administração da vacina anti sarampo, papeira ou rubéola.

Estas vacinas são gratuitas e muito eficazes no controlo das viroses para que estão indicadas.

Aconselho os pais  vivamente a vacinarem os filhos e, caso desconheçam, informarem-se sobre o seu estado vacinal, na sua unidade de saúde, a fim de se protegerem caso seja necessário.

A prevenção através da vacinação é a medida mais eficaz na prevenção do Sarampo.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa

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