É já esta sexta-feira , dia 14 de julho, que a Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e a Cooperativa União Agrícola vão a votos, numa lista única, onde o atual presidente volta a candidatar-se.

Em entrevista ao Jornal Diário da Lagoa, Jorge Rita fez o balanço dos últimos três anos de mandato, afirmando que foram anos extremamente difíceis, nomeadamente  no setor leiteiro, com a diminuição das quotas leiteiras, do embargo Russo e a diminuição do consumo de produtos lácteos. Fatores que degradaram o preço do leite para níveis muito baixos de pagamento para cada litro de leite.

O presidente da AASM lamenta que, apesar das medidas tomadas pela União Europeia, na realidade, nenhuma teve um grande impacto no rendimento dos produtores de leite. No entanto, salienta que, tanto a Associação como o Governo Regional, tentaram, em conjunto, atenuar e colmatar algumas dessas situações, como é o caso concreto dos 45 euros de apoio por cada vaca, o facto de alguns dos prémios terem melhorado mas também a questão da Segurança Social que irá ter uma redução, apesar de ser inferior à pretendida a partir dos mês de setembro.

“Todos temos consciência que foi dos anos mais difíceis, o mandato mais difícil por via do impacto dessa mesma abolição das quotas leiteiras, que nós prevíamos ao contrário mesmo do Governo Regional que entendia que estávamos preparados para a abolição das quotas leiteiras”, disse Jorge Rita.

Atualmente na Europa o preço por cada litro de leite subiu, em média, 7 cêntimos quando na Região Autónoma dos Açores aumentou apenas de 1 cêntimo, demonstrando um grave problema neste setor na região.

Jorge Rita lamentou novamente que: “nós temos o melhor leite do mundo e temos o leite mais mal pago da Europa”, salientando que não irá parar de dizer esse slogan até que as industrias “se envergonham pelo preço que pagam ao produtor”.

“Sabendo que o consumidor, neste momento, já está a pagar mais em todos os produtos, ou seja, algumas indústrias estão à enriquecer à custa do suor dos produtores de leite nesta região”, lamenta o também presidente da Federação Agrícola dos Açores, considerando que, por parte do Governo Regional, também falta alguma convicção nessa matéria.

Assim sendo, Jorge Rita acredita que a agricultura é um sector fundamental da economia da Região e que o Governo Regional tem que intervir, em prol dessa economia, de forma a melhorar a mesma. Acrescenta ainda que, se o Governo reconhece que, atualmente, este setor é que tem a maior parte das dificuldades da fileira, deveria ter uma intervenção mais ativa, quer a nível do Governo regional como nacional.

O presidente da AASM refere que o aumento do turismo e a melhoria da economia nesse setor, nomeadamente com o aumento de emprego, é muito importante para a região mas que não se pode esquecer das produções tradicionais, que são “de extraordinária qualidade, sendo um produto de grande eleição com grande aceitação”.

Segundo Jorge Rita, a expetativa futura é positiva, acreditando que até ao dia 10 de agosto haja anúncio da subida do preço do leite.

Destaca ainda, o setor da carne que também tem vindo a melhorar, graças às alterações previstas nos transportes e nos matadouros.

Nas outras áreas de produções tradicionais, como é o caso das hortícolas, frutícolas, tem havido um grande incremento, áreas estas que Jorge Rita considera serem complementares com os setores do leite e da carne e fundamentais para o consumo e oferta, nomeadamente para o turista.

Outro grande desafio deste novo mandato passa pela construção e obras na AASM, porém o presidente desta associação defende que o mais importante não são as obras físicas mas sim o rendimento dos agricultores.

As reivindicações persistentes que a Associação Agrícola tem tido, terão também continuação neste novo mandato, exigindo por parte do Governo Regional melhorias nas infraestruturas agrícolas, nomeadamente mais caminhos, água e luz nas explorações, boa execução dos programas comunitários já existentes e lutar por um melhor rendimento dos agricultores.

Presidente há 15 anos, Jorge Rita considera que o facto de existir apenas uma lista única para as eleições da Associação Agrícola de São Miguel e da Cooperativa União Agrícola, pode ter várias interpretações, acreditando, porém, que os sócios confiam plenamente na atual presidência e na sua direção.

“Com essas grandes dificuldades que o setor atravessa, acham, precisamente, que somos nós aqueles que têm a capacidade e experiência e a credibilidade acumulada ao longos dos anos para inverter a situação em momentos difíceis”, admite Jorge Rita, considerando que este é o maior elogio que se pode fazer ao trabalho que a Associação tem vindo a desenvolver.

Esta lista única será renovada em 30% , com a introdução de três novos membros, de forma a trazer “sangue novo” e principalmente pensando no futuro desta associação que tem membros que representam todos os concelhos da ilha de São Miguel.

As eleições dos novos órgãos sociais para o quadriénio 2017 a 2021, decorrem esta sexta-feira, dia 14 de julho, entre as 9h00 e as 22h30, no parque de exposições, em Santana.

Após o fecho da Assembleia Geral, os novos órgãos sociais tomarão de imediato posse, seguindo-se uma intervenção do Presidente do Conselho de Administração de ambas as Instituições.

DL/AS

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