A Coleção Visitável da Matriz de Lagoa, na Paróquia de Santa Cruz, foi inaugurada com grande emoção, permitindo a partilha da cultura eclesiástica com toda a comunidade e principalmente estudar e preservar o património religioso.

Inaugurado, esta quinta-feira, dia 18 de maio, no Dia Internacional dos Museus, o espaço museológico da Ouvidoria de Lagoa, conta com a existência de áreas anexas ao templo, onde constam seis núcleos, com peças datadas entre os finais do século XVI e o século XXI.

Através do património histórico e artístico presente na Coleção Visitável, todos os visitantes poderão ver a vida de Cristo e da Igreja, nomeadamente nos diferentes núcleos, agrupados de acordo com a tipologia e a temática: núcleo da imaginária, ourivesaria, cerâmica e azulejaria, processional, paramentaria e arte bonecreira.

O Núcleo da arte bonecreira, considerado o ex-libris da Coleção Visitável, permite a promoção da fé, principalmente por apresentar uma coleção exclusiva de bonecos criados e pintados pelo artista, António Amaral, que retratam os principais acontecimentos da vida de Cristo, desde a “Anunciação do Anjo” até à “Ascensão ao Céu”.

Neste núcleo que comporta 170 figuras e 33 cenas da vida de Cristo, o bonecreiro lagoense, António Amaral, de uma forma muito harmoniosa e realista, expressou com toda a sua imaginação e trabalho efetuado durante quatro meses, a vida de Cristo.

Assim sendo, de forma minuciosa, o processo de fabrico das pequenas figuras envolve a modelagem do barro, a secagem, a cozedura e a pintura dos  bonecos.

Para o Pe. Nuno Maiato, a Coleção Visitável exigiu vários anos de “sonho e preparação” para dar uma resposta concreta ao património que a Igreja Matriz possui, acreditando que este espaço era uma necessidade e um verdadeiro desafio para a Ouvidoria da Lagoa.

“Quando cheguei a esta Igreja, em 2009, herdei 500 anos de vivência cristã. Cheguei à Igreja e procurei o que já tinha sido feito e o que faltava fazer”, recorda o Pe. Nuno Maiato durante a inauguração da Coleção Visitável.

De salientar que o projeto surgiu no âmbito do inventário feito à Igreja de Santa Cruz, efetuado por Joana Simas, onde o Pe. Nuno Maiato relembra que em 2016 quando assumiram a data de inauguração para o dia 18 de maio, todos se admiraram e muitos foram aqueles que não acreditaram na concretização do projeto.

A Coleção Visitável também terá uma aplicação de língua gestual portuguesa, que ficará pronta este verão e dez sessões de catequese, onde cada catequista irá visitar a Coleção com os jovens.

Joana Simas, com grande emoção, referiu os meses de muita luta que foram necessários para persistir num projeto que inicialmente muita gente não acreditava e que atualmente se encontra patente.

“Lutamos muito para que este sonho se tornasse realidade. A Coleção Visitável permite estudar, divulgar e preservar o património religioso e promover a fé através da cultura, dando vida a peças arrumadas dentro das gavetas e descodificando a mensagem que elas escondem”, explica Joana Simas.

Igor França, coordenador da Área da Cultura e Educação da Câmara Municipal de Lagoa, relembra que, antigamente, com as dificuldades de comunicação entre os países com diferentes idiomas, a única forma de linguagem era através da arte e é com grande alegria que constata que a evangelização pelo culto continua de atualidade.

Para colocar as 135 peças de arte em segurança e permitir que o visitante desfrute da Coleção Visitável com agrado, cada visita poderá ser efetuada de forma gratuita, das 10h00 às 13h30 e das 14h30 às 18h00 de terça a sexta-feira e das 10h00 às 13h30 aos sábados.

DL/AS

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