Lagoa-Romeiros

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira acolheu uma tertúlia sobre o tema das romarias quaresmais.

Tratou-se de um evento gratuito que contou com a participação dos oradores Padre João da Ponte, pároco da Povoação e natural da freguesia de Santa Cruz, Lagoa; Ana Carvalho, mestre em Etnomusicologia, que teve como tese de estudo a música dos romeiros e os testemunhos do Mestre Edmundo Botelho e Contramestre José Ventura, que se pronunciaram sobre a vivência e o ser romeiro.

O evento iniciou-se na Igreja de Santo António, onde o rancho de romeiros de Santa Cruz entoou o cântico “Ave – Maria”, seguindo, em pequena procissão até ao local onde decorreu o evento.

O Padre João da Ponte iniciou a apresentação, contextualizando as romarias, nomeadamente a sua origem, por volta de 1522 em consequência das calamidades causadas pelos terramotos e erupções vulcânicas que a ilha estava a presenciar e, por conseguinte, houve uma necessidade das pessoas se reunirem e implorarem por misericórdia, por intermédio da Virgem Maria e recordou que a Quaresma, para o cristão, é um momento de oração, reflexão e celebração.

Ana Carvalho, mestre pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo como tese de mestrado “Romeiros de São Miguel: a música na caminhada da Quaresma”, debruçou a sua apresentação sobre a música característica e singular dos romeiros. Para o seu estudo, Ana Carvalho acompanhou os romeiros na caminhada para recolher a música e os sons de forma a analisá-los. Afirmou que era uma música carregada de sentimento, súplica e devoção. O cântico “Ave-Maria” é peculiar, cantado de uma maneira própria e quando as pessoas o ouvem identificam de imediato que são os romeiros, tornando-se uma parte da cultura e da identificação de um povo.

O Mestre Edmundo Botelho e o Contramestre José Ventura forneceram o seu testemunho sobre as suas vivências como peregrinos. Ambos afirmaram que só quem caminha nesta altura sente o que realmente é a romaria, que existe algo superior que indica que está na altura da caminhada, não só no caminho, como interiormente. Foi realçado por ambos que existe a necessidade de agradecer pelas graças concebidas.

De salientar que este evento contou com a presença do Bispo da Diocese de Angra, D. António de Sousa Braga e do Presidente do Movimento de Romeiros de S. Miguel, João Carlos Leite, que também se pronunciaram sobre o assunto, afirmando que esta época é muito singular e com muito significado, apelando para a autenticidade e empenho do romeiro.

DL/CML

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