Nicho de Nª Sª da Graça mantém-se como um local de preces

O Nicho de Nossa Senhora da Graça, situado na Freguesia do Rosário, passou a ser gerido pela Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, desde este mês de agosto. Este Nicho, sem proprietário específico, tem sido mantido por algumas pessoas desde que foi criado na década de 60 do Séc. passado.

Segundo escreve a historiadora Susana Goulart Costa, a fundação do Nicho invocado a Nª Sª da Graça, está diretamente relacionada com o início da Guerra Colonial. Com efeito, a partir de 1961, o Padre Mariano Furtado Mendonça, pároco da Igreja de Nª Sª do Rosário entre 1946 e 1976, passou a fazer referência aos soldados que estavam no Ultramar durante a Eucaristia que celebrava no adro da Igreja, depois da procissão dedicada a Nª Sª do Rosário. O agudizar desta guerra, aumentou a sensibilidade da comunidade local para com o conflito e, em 1963, o lagoense José Vieira tomou a decisão de construir um nicho que apelasse à Graça de Nª Sª, para salvar os soldados envolvidos na Guerra Colonial. 

Segundo a historiadora, este primeiro “patrono” individual, trabalhava nos térreos de vinha e João Carlos Furtado Moniz, os quais se localizavam precisamente onde hoje se encontra a praça e o bairro de Nª Sª da Graça, que herdaram o nome do Nicho que lhes é fronteiro. A obra de José Vieira, que nunca se assumiu como seu proprietário, foi inaugurada a 8 de dezembro de 1963, com a presença de personalidades locais, das crianças das duas escolas da freguesia do Rosário (Escola do Sotorro e Escola Jácome Correia) e da Mocidade Portuguesa. 

Ao longo do curso da Guerra do Ultramar, Nª Sª da Graça foi particularmente venerada pelos lagoenses e não só. A oferta de vários bens, nomeadamente peças em ouro, prata e outros materiais, o acender de velas e a reza do terço junto do Nicho, tornou-se um hábito, que ainda hoje se mantém. Contudo, alguns anos depois da inauguração, a escultura foi destruída por um iconoclasta, o que significa que a qual imagem não é a original da década de 1960.  

A primeira imagem foi feita pelo Sr. Luís Gouveia (Sr. Luizinho), enquanto a atual imagem, terá sido adquirida a uma fábrica em Braga.

Prossegue a historiadora, entre a data da sua inauguração e o final da Guerra Colonial, a manutenção do Nicho terá sido assegurada por José Vieira. A partir de 1975, a sua gestão passou a ser efetuada pela empresa Andrade & Irmão Lda, embora não fosse a entidade proprietária. Nos inícios da década de 1980, esta empresa realizou algumas pequenas obras no Nicho, criando um arco gradeado defronte da reentrância inicial, de forma a proteger mais eficiente o espaço original, que ocasionalmente era alvo de furtos. 

Susana Goulart Costa recorda que o recente encerramento da empresa levantou preocupações no que respeita ao futuro do Nicho e à escultura que o habita, a qual necessita de restauro. “Sem proprietário específico, a sua limpeza tem sido assegurada nos últimos tempos pela Srª Ressurreição Soares Pimentel, mas a ausência de um responsável concreto, poderá fragilizar a manutenção deste espaço devocional. Sendo ainda visível e significativa a fé dos lagoenses para com a Nª Sª da Graça, será imprescindível acautelar a sua conservação para que este património seja mantido com dignidade.

O futuro deste Nicho passa agora a estar assegurado, com a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, assumindo a gestão do espaço.

DL

 

Categorias: Local, Religião

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