Opinião: “Alheamento Injustificado”

Depois de Adolf Hitler, Estaline, Mussolini, Franco ou Salazar no séc. XX, surge, no séc. XXI, uma nova vaga de líderes que têm alterado o “status quo” mundial.

De um lado, nos Estados Unidos da América, Donald Trump. Conservador, céptico, extremista nas suas posições, um perigo real e latejante para as relações internacionais, que quer fechar fronteiras, expulsar muçulmanos, imigrantes não desejados. Donald Trump: o multimilionário americano, dono da Trump Tower, elitista na medida errada, que ofende o Irão, que muda a embaixada americana para Jerusalém, ofendendo os palestinianos que, como povo, têm também direito à sua dignidade e independência. Donald Trump: dono de uma presidência instável, profícua em demissões, que nem sequer esperava ganhar. Donald Trump: defensor da retirada dos EUA do Acordo de Paris, ultra-nacionalista, racista. Donald Trump, cujo ex-conselheiro, Steve Bannon, numa notícia do Expresso diz pretender criar uma fundação na Europa para ajudar a financiar partidos de extrema-direita. Este homem foi o conselheiro de Trump, muitas vezes o “braço direito” dele. E só saiu por influências de Jared Kushner e de Ivanka Trump, família intrometida nos assuntos da Casa Branca, que, com a sua mestria política sobre Trump, conseguiram meter este pirómano na rua.

Mas do outro lado, no Brasil – outra potência -, nação-irmã de Portugal, que pertence à CPLP, tal como nós, com cerca de 200 milhões de habitantes, temos Jair Messias Bolsonaro: ultra-conservador, ex-militar na reserva, céptico, extremista nas suas posições, que defende a construção de um regime militar de torturadores. Com Temer, o golpista, a ter uma popularidade baixíssima; com os casos de corrupção que abalam a política brasileira; com uma campanha populista, demagógica e extremista que já conta com milhões de seguidores nas redes sociais, Jair pode muito bem – e tudo indica – ganhar a primeira volta das presidenciais, isto apenas se Lula for impedido de concorrer, como se espera. Se Lula é culpado ou não… não sei! Não quero tomar posições: só alertar para o perigo eminente em que estamos mergulhados – de um lado o Trump, de outro o Bolsonaro e, na Europa, um “Brexit” e a decadência do projecto europeu, que se quer forte e bem-disposto para bem de todos nós, europeus e portugueses.

E o Brasil é muito importante para nós, Portugal. Como referiu o ex-primeiro-ministro de Portugal, Santana Lopes, num artigo publicado no Jornal de Negócios, há um “alheamento incompreensível” da comunicação social portuguesa em volta das eleições no Brasil, alheamento que não se verifica em eleições americanas ou mesmo espanholas, italianas ou francesas. Mas Santana Lopes, refere – e friso isto – que “o Brasil é muito importante para nós, Portugal. Este é um tempo fundamental para a democracia e para a economia do Brasil”, cito.

Na segunda volta, contudo, espera-se que todos se unam para impedir este ex-capitão, Jair Bolsonaro, do exército brasileiro, que quer tirar o Brasil do Acordo de Paris; que quer abolir o Estado Laico; que está ser julgado no Supremo Tribunal Federal por crime de apologia à violação e injúria; que foi acusado de racismo e de homofobia e que é autor de frases que demonstram uma posição rígida contra “quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBT”, de assumir a presidência.

Júlio T. Oliveira
– estudante universitário –

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