Padre João Moniz de Melo tem nome de rua em Água de Pau

A Câmara Municipal atribuiu  uma placa toponímia para uma nova rua da Vila de Água de Pau ao Padre João Moniz de Melo. Trata-se assim de um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido durante toda a sua carreira ao serviço da comunidade da Paróquia de Nossa Senhora dos Anjos.

Sobre o Padre João Moniz de Melo:

Em 1901, veio dos Arrifes, sua terra natal, para Água de Pau substituir o Padre Manuel Inácio Vieira Medeiros, que era natural desta Vila.

 Exerceu a sua carreira de padre por 40 anos em Água de Pau.

Assistiu à partida de famílias de Água de Pau que emigraram para o Brasil, apoiando-as espiritualmente quando ainda nem era pároco há muito tempo. Manteve o contacto com algumas destas famílias e viu bons resultados nisso pois algumas depois de terem sido bafejadas pela sorte e sucesso no Brasil, resolveram vir à terra natal honrar promessa à sua padroeira Senhora dos Anjos, assumindo o total custo das Festas de 15 de Agosto.

 Atravessou os tempos conturbados das duas guerras mundiais.

 Viveu sem intervir na Aparição de Nª Sª à Menina Maria Joana Tavares do Canto no Pico do Concelho a 5 de julho de 1918. Em 1928 e após a morte da vidente assistiu à construção da Ermida no antigo Pico do Concelho passando a chamar-se o lugar então de Monte Santo. Procedeu à sua inaugurando-a e passou a realizar uma Missa com festa anual no dia 16 de julho. Esta Festa e Procissão de Nossa senhora do Monte ainda continuou a realizar-se até à década dos anos 80s do século passado, com os padres que se lhe seguiram, nomeadamente o padre Manuel dos Reis Câmara e o padre João Botelho Mota.

 Em determinada altura, recebeu como herança da sua família dos Arrifes uma lavoura que fez vir para Água de Pau e dinheiro suficiente para comprar uma casa na antiga rua da Carreira [hoje rua Prof. João Ferreira da Silva], e uma mata.

 Segundo os testemunhos, por mim colhidos, a cidadãos idosos naturais desta terra que viveram ou ainda vivem em Água de Pau, e nos EUA, Canada, Brasil ou Austrália, durante os momentos difíceis ou de crise, socorreu os mais pobres, mandando abater algum do seu gado para providenciar «mesas de inocentes», termo utilizado no passado para refeições para crianças, jovens e adultos para gente muito carente. Mais tarde, os nossos emigrantes, de visita à terra continuaram com essa ação solidária, até meados dos anos 60s.

 Também e segundo outros testemunhos, ficamos a saber que foi com o Padre João Moniz de Melo que a Igreja de Nª Sª dos Anjos, por volta da década de 1930, é que começou a ter bancos para os fieis assistirem à Missa. Segundo Amélia Furtado Nabiça, a idosa mais velha de Água de Pau, com 105 anos, emigrante, que reside em New Bedford, e que nasceu em 1913, quando tinha sete anos e frequentou a catequese aos domingos na sua igreja da Senhora dos Anjos, sentava-se de pernas cruzadas, no chão e à frente, do lado esquerdo. Os meninos sentavam-se , igualmente no chão mas à direita. As senhoras, vinham atrás, igualmente sentadas no chão e depois então ficavam os homens atrás, mas de pé.

Como disse, por volta de 1930 o Padre João Moniz de Melo pediu às famílias mais abastadas desta vila para cederem, madeira e o dinheiro para se fazerem bancos para a igreja.

 Viu então partir alguns moleiros para o Brasil, quando o caudal de seus moinhos foi reduzido pelo desvio da maior parte da água em conduta para abastecer o crescente concelho Ponta Delgada.

O Padre Moniz de Melo era um real conhecedor dos problemas que preocupava o povo, sobretudo os mais pobres e indefesos e por isso intercedia por eles junto das autoridades municipais:
providenciando o arranjo e o bom funcionamento de água em todos os fontenários desta vila.
Pedindo ao Administrador do Concelho da Lagoa para realizar uma campanha anti murina tendo em vista o grave problema de algumas casas onde as famílias conviviam a paredes meias com os ratos. Felizmente, o seu pedido foi atendido, embora concretizado já após a sua morte, no tempo do padre que se lhe seguiu, Manuel dos Reis Câmara, com a reconstrução do Bairro das Escaninhas, hoje rua do Foral Novo.

 Eu gostava de concluir esta pequena resenha sobre a passagem do padre João Moniz Melo pela Vila de Água de Pau com um pensamento pessoal:
O bem mais precioso que eu possuo e que posso oferecer a alguém ou em prol de uma causa ou de minha terra é o meu tempo disponivel. Ele não volta mais. Por isso, recordo que o Padre João Moniz de Melo que após ter sido ordenado, preencheu toda a sua carreira de apostolado, de 40 anos como padre da Vila de Água de Pau e cura da vizinha paróquia de S. José da Ribeira Chã. Portanto, ele deu todo o seu tempo precioso, de toda a sua carreira de padre, em prol da comunidade cristã da Vila de Água de Pau.

 Por isso, a comunidade pauense tem uma dívida de gratidão a este ilustre padre João Moniz de Melo.

 A Câmara Municipal de Lagoa, com o apoio da Junta de Freguesia d’Água de Pau, decidiu e muito bem associar-se à vontade de alguns seus familiares, dos quais se destacam Rosa Melo e Isabel Melo, suas sobrinhas netas, e atribuiu-lhe uma placa toponímica com o seu nome para uma nova rua habitacional, mesmo ao lado da rua Manuel Egídio de Medeiros e do Cemitério local.

 Durante a cerimónia do descerrar da placa toponímica estiveram presentes, o Padre João Furtado, da paróquia de Nª Sª dos Anjos a senhora presidente da Câmara M. de Lagoa, Cristina Calisto, os vereadores Fernando Jorge Moniz e Roberto Oliveira. Fizeram-se representar pela Junta de Freguesia de Água de Pau, Elisabete Almeida e Marina Chaves, a presidente da Assembleia de Freguesia dos Arrifes, de onde o padre João I. Melo era natural também marcou presença assim como muitos familiares do homenageado, moradores locais e populares.

 As duas sobrinhas netas, Isabel Melo de Água de Pau e Rosa Melo, dos Arrifes tiveram oportunidade de falarem sobre a sua ligação familiar, acção e actividade religiosa na sua paróquia. Eu, a convite de ambas, descrevi aos presentes, de forma simples, tudo o que atrás publico aqui e que foi fruto de pesquisas que tenho realizado para a História da Vila de Água de Pau que ainda precisa ser publicada, numa próxima oportunidade.

 A cerimónia terminou com a intervenção da senhora Presidente da Câmara, Cristina Calisto que valorizou o nosso município e a Vila de Água de Pau com mais essa referência toponímica.

Por: RoberTo MedeirOs

Categorias: Cultura, Local, Religião

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*