1º Centenário das aparições no Monte D’Água de Pau – 2ª parte

Elias Maria Borges – soldado da 1ª Guerra Mundial.

A 5 de Julho de 1918 Nossa Senhora apareceu à Joana no Monte Santo

Como predisse a vidente Joana, a Grande guerra Mundial acabou na altura certa que Nossa Senhora lhe disse. Portugal esteve envolvido na mesma e alguns açorianos estiveram metidos nela. Elias Maria Borges de Água de Pau, que vemos na foto, foi um dos soldados que teve a sorte de regressar a casa, desta guerra, felizmente. Os acontecimentos ocorridos em Fátima no ano anterior, serviam de tema para um já elevado número de abismados que não davam valor à vida muito menos à sobrenatural. Por isso, nos Açores tudo se repercutia e se tornava confuso.

Não só a prudência dos pais de Maria Joana Tavares do Canto contribuiu para que as repercussões dos milagres ficassem circunscritos temporariamente ao seu meio próprio, mas também o Padre João Moniz de Melo, então pároco da Vila de Água de Pau, nunca as abordou.

Mas, vamos conhecer melhor um pouco da vida da Sofia, a outra criança, companheira da vidente Joana, companheira de escola, das brincadeiras e milagres do Monte Santo. Como já foi mencionado, a Maria Sofia nasceu na América do Norte. Filha de pais de origem irlandesa que viviam naquele país, por morte dos mesmos foi esta adotada por um casal de emigrantes sem filhos, natural de Água de Pau, os quais, regressando à sua terra, trouxeram consigo a Sofia.

Embora não se saiba com que idade foi esta menina adotada, julga-se ter sido com pouca idade, porque se assim não fosse, ela não se chamaria Maria Sofia, mas sim outro nome condicente com os nomes habituais de seus pais naturais.

A partir do grande acontecimento do dia 5 de julho daquele ano de 1918, ocorrido no Monte, pouco mais se falou de Sofia. Os jornais de então separaram, psicologicamente, por razões sociais, as duas crianças, sem pensar que para Deus, todos são iguais.

A Maria Joana Tavares do Canto recebeu dons vindos da Mãe de Deus. A Maria Sofia ou Sofia Paulino, recebeu-os também. Porque só a primeira falava com Nossa Senhora? Teriam as duas missões diferentes?

Não se sabe quando, mas sabe-se que a Sofia regressou à América do Norte com seus pais adotivos e se correspondeu algum tempo com os pais de Joana, porque estes eram seus padrinhos. Um dia, mais tarde, não se sabe quando, a mãe da Joana recebeu carta da sua afilhada Sofia, em que a mesma lhe comunicava que aquela carta era a última que lhe enviava, porque havia dado entrada num convento de religiosas onde fez voto de total clausura, por isso ficaria incomunicável. E aqui se viu, com muita clareza, que Nossa Senhora a ambas tinha traçado um destino!

Dado a dimensão do grandioso acontecimento, todo ele envolvendo duas crianças ingénuas e multidões de gente que ali foram por força da sua sensibilidade supersticiosa que faz criar fé, fácil é compreender que se não esteve perante um acontecimento de habilidade telepática, porque entre tantos milhares de pessoas que ali se concentraram, a fluidez das imagens diversificadas nunca podia ser coletiva. Tanto mais que em assuntos de caracter religioso as opiniões por vezes se entrechocam.

Ou seja, esteve-se, então, naquela misteriosa tarde do dia 5 de julho de 1918, perante um milagre de aparição de imagens sobrenaturais! E o povo de toda a ilha jamais deixou de chamar àquela alongada cumieira do Pico do Concelho, «MONTE SANTO»!

Nada ficou abafado porque o que não é da criatividade do povo, mas sim de um poder sobrenatural, torna-se algo que não se extingue.

Segundo estudo científico da autoria do vulcanologista Prof. Dr. Victor Hugo Forjaz, a elevação onde se deu a aparição de Nossa Senhora, consta de:
« O Monte santo ´é um cone vulcânico do tipo estromboliano que se constituiu há cerca de 4000 anos. Os centros eruptivos instalaram-se sobre uma fratura radial do grande Vulcão da Lagoa do Fogo e construíram diversos cones de escórias basálticas onde o Monte Santo é o mais imponente. A fase terminal desses vulcões consistiu na emissão de volumosas escoadas de lavas que se dirigiram para o mar, constituindo uma «fajã» lávica das mais belas de S. Miguel e que dá pelo nome de Caloura. Em algumas dessas lavas provenientes do Monte Santo existem túneis; os mais espetaculares são submarinos e são visitáveis, sobretudo os do Jubileu, onde se situa o Caloura Hotel. A erupção de 1563, cobriu o Monte Santo com alguns metros de pedra pomes conforme observáveis em diversos afloramentos.»

A pedra-pomes “milagrosa” muito branca do Monte Santo

Para mim, quando cresci, mesmo ali em frente ao Pico do Monte Santo, na Rua da Trindade ia lá ao cimo por mais algum motivo.

Com os meus amigos, ia- ao pico, pelo Natal, umas vezes, para procurar e trazer pedras vermelhas e cascalho vermelho miudinho para decorar o Presépio. Doutras vezes, também ia para brincar com alguns amigos. No entanto, também ia ao pico por um outro motivo, mais sério.

Poucos se lembrarão disso já, mas, a minha geração e a anterior à minha, lembra-se de certeza, lá pelos anos 50s e 60s do século passado.

Quando tínhamos um exame difícil ou alguma dificuldade que queríamos ver ultrapassada, então íamos ao Monte Santo, ao lugar onde a menina Joana Canto tinha-se encontrado com Nossa Senhora.

Havia no lugar um pedregulho diferente que para nós era muito especial por ser de «pedra pomes» muito branca, que contrastava com toda a constituição do monte, formado de cascalho vermelho e preto.

Então, recordo-me de quando fui fazer exame da 4ª classe à Lagoa. Fomos ao Pico, eu o João Francisco, o Antero, o Armando Arruda e retirámos uma pedrinha pequenina ao pedregulho e trouxemos para casa. Rezamos a Nossa Senhora, colocámos a pedrinha debaixo da cabeceira e adormecemos. No dia seguinte, quando acordámos, fomos mais seguros para o exame.

Tal como tantos outros colegas de escola, penso eu que aquela era uma maneira que tínhamos encontrado, para sermos ouvidos, ou merecer a atenção, de Nossa Senhora. Dava sorte, pensávamos. Enfim, éramos muito crentes e fazíamos isso num ritual de muito respeito, na altura.

 

Por: RoberTo MedeirOs 
(Artigo publicado na edição impressa de agosto de 2018)

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