Geraldo Andrade comemora 25 anos de treinador

Geraldo Andrade comemorou, no passado mês de junho, 25 anos de treinador de patinagem.

O técnico lagoense tem sido responsável por fazer atletas campeões, onde em conquistado diversos títulos e pódios a nível local regional, nacional e europeu.

A nível internacional, participou em 2017 pela primeira vez, com o seu atleta Daniel Moniz, tendo este ficado no Top 10 mundial.

Ao Jornal Diário da Lagoa diz que os resultados são fruto de muito trabalho, mas acima de tudo de muita união que existe no Clube de Patinagem de Santa Cruz, no qual está á 25 anos. Segundo diz, “Somos unidos e a união faz a força”.

Treinador Geraldo Andrade e os atletas na Taça de Portugal 2018.

DL – Já lá vão 25 anos de treinador de Patinagem Artística. Como vê este percurso?
GA – Pois é! E já lá vão 25 anos de treinador e tudo começou a 10 de junho de 1993, no polidesportivo de Santa Cruz – Lagoa, com a “força de vontade” do Pároco José Francisco Pires e minha irmã Susana Andrade, com o apoio da Junta de Freguesia de Santa Cruz que, naquela altura, ofereceu 12 pares de patins de correias (patins de iniciação) + 10 cones para auxilio ao ensino da prática (jogos / estafetas).

Vejo o meu percurso, um percurso saudável, aprendi a ser “grande” tinha eu 15 anos a caminho de fazer 16. Escrever sobre o meu percurso não é fácil, muito para dizer. Conseguia fazer um livro… uma coisa tenho a certeza, não me arrependo dos anos (25) e horas diárias que disponibilizei, não só pelos “frutos que vejo hoje”, não só pelas crianças, jovens e agora adultos que tive o prazer de conhecer, como também pelo conhecimento da minha própria pessoa, quais foram e são os meus limites… trabalhar com crianças, jovens e adultos, vê los crescer, não é tarefa fácil, até pelo contrário é uma “luta”, um desafio constante e olho para trás e realmente sei que consegui algo…
Considero-me humilde, continuo a considerar-me humilde ao dizer que evolui por mim, procurei sempre estar atualizado com a evolução deste desporto, quis e quero sempre mais, mas também aprendi e continuo a aprender muito com os atletas. Afirmo: eu formei muitos atletas mas também eles me formaram….

DL – Quando começou sonhava conseguir os feitos que já conseguiu?
GA – Caro amigo, quando comecei, era um simples rapaz que estava a terminar o 9.º ano que queria ir para a praia, piscina, tinha dado também férias da minha prática desportiva, naquela altura – Hóquei em Patins, (Patinagem Artística tinha deixado aos 12 anos). Lembro me, da minha irmã me ter acordado no dia 10 de junho e dizer: – acorda vamos dar treino! E fui, ajudei a calçar os patins a um grupo de crianças e jovens que apareceram, motivados pelo pároco… realizamos diversos treinos, festivais de verão, desenvolvemos em simultâneo durante anos a prática de Hóquei em Patins e Patinagem Artística. Em 1998 / 1999 a direção do CPSC “fez força” apresentando proposta à Associação para organizar o 1.º Campeonato / 1.º Torneio de Patinagem Artística para dar acesso e podermos participar nos campeonatos Nacionais. E assim foi! A partir daí comecei a “estudar” regulamentos de Patinagem Artística, a elaborar programas de competição, a sonhar com atletas a fazerem muitos “truques de patinagem”. Mas respondendo à sua pergunta, quando comecei, não sonhava os feitos que já ajudei a conseguir.

DL – De todos estes anos, possivelmente com altos e baixos, o que mais destaca?
GA – Respondendo friamente e escolhendo o mais baixo, foi quando tínhamos necessidade de treinar num local fechado (pavilhão) durante o inverno e não deixavam pela falta de conhecimento (pensavam que íamos estragar o piso), o que desde 2002 provamos o contrário. Utilizamos a mesma instalação desde de sempre, Pavilhão da EBI Lagoa (Ficher) e não quero outra!
O momento mais alto e escolhendo rapidamente sem pensar muito, e convicto o mais gratificante, atletas diferentes, saberes diferentes, em épocas diferentes, foi sem dúvida formar atletas, ensinando a calçar os patins, ensinando a dar os primeiros passos sobre rodas, a ensinar a fazer a 1.ª figura que se aprende na patinagem. Mais tarde, ouvir o nome deste(s) atleta(s) a subirem um pódio, a representarem o nosso país ao mais alto nível. Sim, eu sou um sortudo, sei o que isso é!

DL – Quais os momentos que mais lhe vem à memória?
GA – Ui! O 1.º festival de Verão em 1993, em abril de 1995 um festival em que a nossa convidada era a Campeã Nacional de Séniores, Rita Falcão, grande dia de sol e no momento em que vai começar o festival, chove e tentamos realizar no dia seguinte. Outro grande dia de sol, mas a chuva decidiu aparecer outra vez na hora que ia começar o festival. Lembro-me que vimos ela a patinar, tinha sido no dia anterior onde ela realizou um treino de adaptação! Outro momento que me vem à memória foi a 1.ª vez que o CPSC participou na Taça de Portugal, em 2002 com 5 atletas e alcançamos a 18.ª posição de um total de 28 clubes. Adorei! Como também adorei a 1.ª vez que subimos ao pódio na Taça de Portugal em 2006. Outro momento, 1.ª vez que uma atleta açoriana alcança o 1.º lugar, Ana Vitória Soares, escalão cadete Campeã Nacional 3x campeã nacional, e representou o país 6 X. Mas muitos e muitos mais momentos, lembro me de muitos festivais realizados um vários locais da ilha, em inúmeras coreografias de grupo, lembro me muitas vezes de patinadores em diversos momentos que foram vividos intensamente, passeios, viagens, treinos… muitos!

DL – O Geraldo acompanha lado a lado o CPSC, certamente já foi aliciado a ter outros voos. Já os teve? Porque não aceitou?
GA – Já tive e tenho. Gosto do CPSC… vi o crescer. Lembro me do dia e assisti à origem como o símbolo foi pensado, foi criado. CPSC faz parte do meu ser. Gosto da minha terra, gosto do ar da minha terra, gosta da minha gente e “não devia dizer isto” gosto “mesmo” dos meus atletas, GOSTO e pronto!

Cátia Borges (esq.) Lia Raposo (centro) Geraldo Andrade (dir.)

DL – A Lagoa tem sido um exemplo na PA nos Açores e tem mostrado nos nacionais que não fica atrás. A que se deve este sucesso? Do treinador? Do Clube? Dos Atletas?
GA – Fácil responder a esta pergunta, é óbvio que se deve ao treinador… brinco! CPSC tem um segredo e este segredo está bem guardado e ficará sempre guardado… lamento não poderei adiantar muito mais!
Mas pensando melhor, dando a “volta” à questão de forma muito racional, deve se a uma equipa extensa na qual me orgulho de me pertencer. Somos unidos e “a união faz a força”. Para além da “força e vontade” humana o CPSC recebe apoio da DRD, da Câmara Municipal de Lagoa, Junta de Freguesia de Santa Cruz, outras entidades, que de uma certa ou outra forma nos ajudam, posso dar um exemplo muito simples: Clínica de Fisioterapia Drª Teresa, quando um atleta se lesiona, ela está lá para nos apoiar. Muitos nos apoiam, os pais são um pilar do clube, o acreditar, o querer ajudar e o querer o bem são palavras chaves para o bom desenvolvimento que qualquer atividade.

DL – O CPSC tem conseguido a realização de importantes provas na Lagoa, isto deve-se claramente ao sucesso do clube e, é legítimo dizê-lo, deve ao trabalho do Geraldo. Como se sente ao receber uma Taça de Portugal, um campeonato da Europa em PA?
GA – Tudo aconteceu por acaso e sabe bem quando é assim. Uma Taça de Portugal surgiu aquando uma cerimónia à minha humilde pessoa “20 anos de treinador” e foi um sucesso, não só pelo lugar alcançando e sim por ver Portugal inteiro (mundo da patinagem portuguesa) na minha cidade. A força de vontade que os meus atletas demonstraram na prova foi para mim um marco importante, vivi muitos bons momentos antes, no decorrer e depois da realização da Taça de Portugal…ainda hoje lembro como se fosse hoje!
Um campeonato da Europa, um desafio feito por nós à Associação, Federação e Câmara a 17 de abril de 2017, sabendo que o Campeonato da Europa em 2018 iria se realizar em Portugal e CPSC pensou, porque não ser na nossa cidade? Conseguimos colaborar na Taça de Portugal, porque não colaborar num Campeonato da Europa! Desafio aceite!
CPSC é um clube assíduo em campeonatos nacionais há muitos anos, somos promotores e sabemos que somos pioneiros na modalidade, somos campeões dos Açores há 19 épocas consecutivas, promovemos a modalidade, cativamos, formamos crianças, adolescentes e jovens. Mantemos atletas adultos na modalidade, quem está ligado ao desporto sabe o quanto é difícil manter os escalões mais velhos em atividade. Acho que isso é mais do que motivos para provar que o CPSC e aos que a ele pertence, direção, atletas, treinadores, pais, amigos, etc., merecem um Campeonato da Europa! De realçar aqui também o mérito, esforço e dedicação da equipa da Associação Patinagem São Miguel, como também a confiança depositada por parte da Federação Patinagem de Portugal, Governo Regional e Câmara Municipal de Lagoa.

Geraldo Andrade e o patinador internacional Daniel Moniz.

DL – O Geraldo foi ao Mundial com um atleta seu, um outro grande feito. Foi um sonho tornado realizado?
GA – Ir ao Mundial, penso que é algo que qualquer treinador deseje! Mas acompanhar / preparar um atleta que ensinei a patinar, ensinei a levantar-se, desafiei inúmeras vezes, apostei, acreditei, trabalhei em equipa, trabalho diário a dois, nunca desisti dele, nem ele de mim, posso dizer que sim, foi um sonho realizado e sim “senti aquilo” que só um treinador sente uma vez, algo inexplicável, algo que agora me orgulho de poder perceber e sentir o que grandes treinadores já o sentiram! Só quem passou por isso sabe o que estou a dizer!

DL – O que deseja para a patinagem açoriana?
GA – Desejo como também credito que a patinagem açoriana vai continuar a crescer não só em números como também a nível técnico e artístico. Cada vez mais, devido ao novo sistema de ajuizamento que entrará em vigor em 2019, próxima época, treinadores dos diferentes clubes locais estão a se preparar e se encontram motivados para a mudança. Ao longo dos meus 25 anos de treinador passei por inúmeras mudanças, muitas vezes estive sozinho e procurei ajuda. É difícil mas se eu consegui eles também irão conseguir. Mas e reforçando o meu desejo, conheço bem o “leque” de treinadores, delegados, juízes e calculadores locais e tudo aponta para uma continuidade segura na modalidade. Uma Associação sempre disponível para colaborar com os seus clubes filiados é sem dúvida um pilar importante para o bom desenvolvimento, felizmente acontece.

DL – Que futuro pode-se perspetivar?
GA – Devido ao dinamismo do grupo atual de treinadores, delegados, juízes, calculadores, toda a equipa da Associação Patinagem São Miguel perspetivo um futuro garantido, um futuro dinâmico e acredito que terei o prazer de ver grandes patinadores açorianos a irem além fronteiras.

DL – Que mensagem gostava de deixar a atletas atuais e possíveis novos atletas?
GA – Caro atleta,
Se não puderes voar, corre.
Se não puderes correr, anda.
Se não puderes andar, rasteja, contínua em frente de qualquer jeito.
Martin Luther King

DL

(entrevista publicada na edição impressa de julho e 2018)

Categorias: Desporto, Local

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