“Qual o teu papel senão o de resistir?” é a 4ª obra literária de Júlio T. Oliveira

“Qual o teu papel senão o de resistir?” é a mais recente publicação do escritor Júlio T. Oliveira, apresentado no final do mês de junho.

Segundo o jovem lagoense, este livro aborda várias temáticas que se unem por um fio condutor: a resistência, a resiliência humana, ou seja, a capacidade do ser humano resistir às adversidades, mas, mais ainda, de ultrapassá-las. “É esta a grande mensagem da obra: nós somos capazes! Somos capazes de aguentar, somos capazes de superar: no amor, na vida, na existência: tudo pede um pouco de nós, um pouco que dói, mas que saibamos ceder na altura certa, ou não ceder se for caso disso. Acima de tudo, somos livres, e é livres que temos que continuar a estar. Cada um é rei de si mesmo”, refere o autor.

A apresentação de mais esta obra decorre no Salão Nobre do Convento dos Franciscanos, no próximo sábado, dia 30 de junho, e estará a cargo de Malvina Sousa e Pedro Chagas Freitas.

Esta é já a quarta obra de Júlio T. Oliveira, três delas de poesia. Ao Jornal Diário da Lagoa, aquando do lançamento da sua primeira obra, já falava no lançamento de mais duas obras, embora diga que não existe ligação direta entre as várias obras.

Júlio T. Oliveira

“Se houver será: a poesia que busco dar a quem me lê, a quem me toma pelo coração, é uma poesia de carácter lírico-confessional, experimentada. Talvez haja uma ligação aí, mas este meu Qual o teu papel senão o de resistir? é um livro com uma poesia filosoficamente mais sólida, mais racional, com mais substância e menos emocional e leviana. É uma poesia pensada, reflectida, trabalhada, madura”.

Júlio Tavares Oliveira é um jovem de 20 anos, nascido na freguesia de Nossa Senhora do Rosário. Atualmente é dirigente associativista e fundador da recém-criada Associação Jovem Lagoense – AJL, lançou já outras três obras: “Versos Experimentados” (2015), “O que não ficou por dizer” (2016) e “Santa Cruz: filhos e servos” (2017).

Ao Jornal Diário da Lagoa, o jovem escritor adianta que “esta coisa da inspiração existe. Mas também existe o querer, a vontade e a ambição. Sem esses três a ‘lâmpada’ não se acende. ‘Deus quer, o homem sonha, a obra nasce’, diz Pessoa. Então que possamos, primeiro, querer, para depois ter: e ter o quê? As palavras a nos aparecerem na cabeça, como pirilampos fluorescentes. Aquele que não sonha é, citando de novo Pessoa, um ‘cadáver adiado que procria’. Então, sonhemos. Sonhemos mais. Sonhemos melhor”, realça.

Por outro lado, questionado pelo nosso jornal sobre a quem chega a escrita de Júlio T. Oliveira, este é claro na sua resposta, ”Chego a quem me toma pelo coração. Chego a quem gosta de mim. E basta”.

Esta é já a quarta obra literária que o jovem lagoense lança, em quatro anos, mas este é um ritmo que não dá para continuar, até porque, sendo diz, “a este ritmo, daqui a 10 anos, estou esgotado psicologicamente. As pessoas que passam pela rua e que me cumprimentam – “Olá, Júlio!” – pensam que devo ter uma vida fácil, mas não é verdade: estudo para ter as notas que tenho, passo tempo com o meu avô que é viúvo, os meus pais estão separados, vivo com algumas dificuldades, mas nunca me falta nada. Amo a minha mãe, irmã, avós, todos os que gostam de mim. Mas tenho problemas de saúde graves também e manter este ritmo vai ser muito complicado para mim, muito por causa deles também. Também coordeno uma associação que fundei. Não sou o super-homem, mas é como se fosse neste momento, confesso. Ando a trabalhar, hoje, em 3 projectos literários diferentes, tirando a AJL e a universidade. É muita coisa a conciliar”, refere Júlio T. Oliveira á nossa reportagem.

O jovem lagoense termina deixando uma mensagem a quem por este caminho queira enveredar, referindo que, “o escritor não é quem escreve. O escritor é quem não desiste nunca de escrever”.

Pedro Chagas Freitas

Para o escritor Pedro Chagas Freitas, Júlio T. Oliveira é um jovem de muito talento, e que vale a pena conhecê-lo.

O escritor, convidado a apresentar esta quarta obra literária do jovem poeta lagoense, tem mais de duas dezenas de publicações, entre romances, novelas, contos, crónicas, guiões, letras de música, textos publicitários e outros. Está na lista dos mais vendidos de 2014 em Portugal.

Ao Jornal Diário da Lagoa, diz ser um felizardo por poder viver momentos assim, referindo ao facto de voltar aos Açores, que diz ser um fã fanático, e referindo que “a ilha é lindíssima”.

Segundo diz, os Açores são poesia. “São a capacidade de superação. São a força da natureza e a força das pessoas. São capacidade de luta. São encanto e coragem. São paz e desassossego”.

Sobre a apresentação deste novo livro do jovem lagoense, Pedro Chagas Freitas recorda que só aceita apresentar livros, por isso raramente o faz, nos quais se revê completamente. “O Júlio tem um grande talento. Vale a pena conhecê-lo”.

Segundo diz, “há neste livro, algo que nos faz acreditar que a arte da escrita está mais viva que nunca”.

Pedro Chaga Freitas considera que os Açores são uma região com potencial na literatura. “Sempre foram. Sempre serão. As pessoas dos Açores parecem-me ter uma natureza literária, uma espécie de predisposição para sentir as letras. É natural, por isso, que haja muito talento pelas ilhas”.

Como conselho para os mais novos, Chagas Freitas incentiva à escrita. “Tenham a coragem de escrever. Com medo mas com coragem. Sempre”.

Aos lagoenses que adoram ler e, mais ainda, escrever, deixa como mensagem para estes se “atirarem” para as letras. “Sejam capazes de ver nas letras não só uma forma de arte, mas também uma forma de vida”.

Malvina Sousa

Também Malvina Sousa, escritora que também apresenta esta obra do jovem lagoense, adianta que este “é um livro que nos assalta com uma pergunta inicial e que, ao longo das páginas que o compõem, nos vai beliscando com muitas outras… As respostas? Vão sendo encontradas página a página, na pele nas mais variadas sensações, vindas de cada um de nós… se ousarmos olhar para a vida… olhos nos olhos”.

DL

Categorias: Cultura, Local

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