Opinião: Como era antigamente?

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CONTAGEM DA POPULAÇÃO LAGOENSE

A contagem da população teve a sua origem antes da Era de Cristo com finalidade militar e de cobrança de impostos. Em 1864, a reger-se pelas orientações Internacionais, operou-se o I Censo Geral da População Portuguesa, dando início dos recenseamentos da época moderna. Os indivíduos foram recenseados através de boletins de família, tendo sido organizada a distribuição de acordo com a lista dos fogos. O censo seguinte ocorreu em 1878 e o posterior em 1890. Salvo raras exceções, desde então, têm vindo a realizar-se regularmente em espaços de 10 anos. Uma dessas exceções foi o ano de 1911, pois no ano anterior deu-se a Implantação da República, não existindo as condições necessárias para tal efeito.

Observemos como decorreram, no Concelho da Lagoa, os censos de 1911, 1920 e 1930.

Em 1911, na Lagoa, todo o processo de contagem da população foi estabelecido pelo Governo Civil, obedecendo às metodologias designadas pelo poder central, que incumbia as entidades concelhias dos encargos logísticos dos recenseamentos. De acordo com o decreto de 17 de junho de 1911, no dia 1 de dezembro tinha de se realizar o recenseamento geral da população do continente da República e Ilhas adjacentes, sendo uma operação de máxima importância e que tinha por objetivo “determinar os índices de vitalidade da nação e o estado da atividade nacional nos seus diversos ramos”. Os recenseadores eram nomeados provisoriamente até que se reconhecessem provas da idoneidade. Competia à Câmara Municipal da Lagoa a inclusão, no seu orçamento ordinário, da verba extraordinária de 127$180 com que deveria contribuir para o recenseamento geral da população. Os boletins a ser preenchidos eram: modelo A – Boletim de Família ou de Fogo; Modelo B – Rol de Fogos; Modelo C – Rol de Embarcações; Modelo D – Mapa resumo das pessoas recenseadas em cada secção; Modelo E – Relação das pessoas de freguesia que padecem de enfermidades (deficiências) e Modelo E1 – Relação de pessoas da freguesia que professam religião diferente do catolicismo.

O 6º Recenseamento Geral da População ocorreu em 1 de dezembro de 1920. Seguiu a Carta de Lei do censo anterior, mas foi regulamentado pelo Decreto nº6434, de 2 de março de 1920, que veio repor a periodicidade decenal, o caráter nominal e que abrangeria toda “a população existente no continente e ilhas adjacentes, no dia 30 de ovembro de 1920” e a que temporariamente se achasse ausente. Os jornais da época deram conhecimento do facto. O Governador Civil enviou ao Administrador do Concelho da Lagoa exemplares do decreto e instruções sobre esse recenseamento geral da população e, aspeto curioso foi que, solicitou a execução de publicidade de esclarecimento sobre o recenseamento de que não preparava opressão aos povos, mas sim melhoramentos na administração pública. A publicação dos resultados só ocorreu em março de 1924, pelo facto de ter havido deficiências de meios e de falta de pessoal mas, principalmente “pela falta de compreensão e de interesse por parte de alguns organismos locais incumbidos de colher os necessários elementos estatísticos”, tendo sido necessário esperar por retificações e até repetir-se a primeira operação de recenseamentos em determinadas localidades. Não foram, por isso, considerados válidos os elementos correspondentes às profissões.

Em 1 de dezembro de 1930 ocorreu o 7º Recenseamento da População. Seguindo as orientações da Carta de Lei anterior e foi executado com base no regulamentado pelo Decreto nº18.338, de 16 de maio de 1930. Sob proposta dos Ministros de todas as Repartições, foi decretado que se procedesse ao Recenseamento Geral da População do Continente da República e das Ilhas Adjacentes, sendo nominal, abrangendo a população existente às 0 horas do dia 1 de Dezembro de 1930 e a que temporariamente se achasse ausente. O Governador Civil de então enviou ao Administrador do Concelho da Lagoa cem exemplares de um cartão de propaganda deste recenseamento para que fosse feita a sua distribuição no concelho até 30 novembro. A grande novidade foi a criação de uma nova classificação de grupos profissionais, para que todas as pessoas que trabalhassem numa empresa ou oficina fossem agrupadas independentemente das funções que exercessem, a fim de serem obtidos resultados por atividade económica.

 

Sandra Monteiro
CHAM – FCSH/NOVA-UAc
ICPJJT

 

Categorias: Opinião

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