Opinião: “A minha alma está a meia haste!”

O clube da minha terra – e talvez por isso aquele que mais me diz ao coração – desceu merecidamente, de divisão. Falo, pois, do Clube Operário Desportivo, o clube ao qual, desde muito pequeno, me habituei a ver os jogos.

Sou do Sport Lisboa e Benfica por opção, sim – e quem me conhece sabe disso. Mas do Clube Operário Desportivo por inerência de estatuto de naturalidade – o que vale bem mais do que apenas “ser-se por opção”. É o coração que fala aqui. E creio que falo por uma boa porção dos lagoenses, já que, nos jogos que fui assistir esta época, notei uma boa afluência nas bancadas.

Sou natural de Nossa Senhora do Rosário, sede do COD e onde o COD disputa as suas batalhas. E sinto-me triste por este duro golpe: mas olhemos para a História de uma forma realista. Quando, por exemplo, as grandes nações caem – e a Alemanha já caiu duas vezes – renascem sempre, se assim quiserem, em virtude do labor e do sacrifício. Por isso, a Alemanha hoje – onde outrora esteve subordinada a Versalhes ou então divida em pedaços entregues a outras nações –, é uma das grandes nações europeias, independente, poderosa e soberana – porque se soube erguer!

Nesta hora difícil, onde a alma de todos os lagoenses devia estar a meia haste – o que não acontece em virtude do desprezo caprichoso de muitos -, que nos possamos unir em torno do clube que se forjou das mãos daqueles que também caíram, mas que sobretudo se souberam levantar. Que se façam as mudanças na medida do necessário, sim; mas que nunca sejamos fabris por necessidade – falo aqui: por interesse ou ambição. Que se façam as mudanças necessárias, sim; mas que nunca sejamos fabris golpistas, mas fabris de causa e coração, sempre democraticamente.

Quem não cai não é gente: mente.

Cair não significa necessariamente perder. Cair significa sobretudo crescer! Cair significa sobretudo renascer. Tem de ser, imperativamente, essa a atitude daqui em diante neste clube da Lagoa e para a Lagoa!

Mude-se o que houver para mudar, e com certeza que há coisas a mudar – já que, como disse Camões outrora, quando se mudam os tempos, mudam-se as vontades -, mas por mais que mexam no caos aparente em que este clube possa estar agora, jamais lhe provocarão inglória nem jamais irão furtar a sua identidade e a sua história.

Força a todos, sem excepção!

Júlio T. Oliveira
-estudante universitário-

Categorias: Opinião

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