Espaço saúde: Enxaqueca

Estima-se que 8 a 15% dos cidadãos dos países ocidentais sofrem de enxaqueca.  Em Portugal e segundo um estudo de prevalência de 2017, os números rondam os 16% da população. Esta é considerada a 10ª doença mais incapacitante do mundo pois os sintomas impedem frequentemente o trabalho ou o estudo.

A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça crónica que se caracteriza por episódios de dor pulsátil. Esta dor pode variar de intensidade entre moderada a intensa e tende a localizar-se num dos lados da cabeça. As crises podem durar entre 4 a 72 horas.

Consideram-se 2 tipos de enxaqueca, com aura ou “clássica”, e sem aura ou “simples”. Entende-se por aura o fenômeno neurológico que inclui alterações visuais, que geralmente ocorrem poucos minutos antes de surgir a dor.  Mais frequentes são as enxaquecas sem aura que não desencadeiam este tipo de alterações. 

Apesar de não existir ainda uma explicação para ocorrência de todos os sinais e sintomas associados á enxaqueca, aceita-se que estes são provocados por processos cerebrais que se traduzem na excitação ou depressão de células, dilatação de artérias e libertação de substâncias químicas.

São apontadas diversas causas desde genéticas, a flutuações hormonais, contracetivos orais, período menstrual, stress, privação de substâncias como o café, alterações do padrão do sono, jejum prolongado, ingestão de álcool, gorduras, chocolates e outros alimentos que podem desencadear uma crise.

O quadro clinico carateriza-se por: dor intensa e pulsátil, usualmente apenas num dos lados da cabeça; náusea e vômitos; sensibilidade à luz e ao som; irritabilidade e mau humor; incapacidade para realização de atividades quotidianas; fenómenos neurológicos transitórios como alterações da fala, da perceção e dormência em algumas áreas do corpo.

A enxaqueca pode agravar-se com a luminosidade, ruido, esforço físico, entre outros.

O diagnostico é feito com base nas queixas verbalizadas na entrevista clinica e exame físico. O médico pode pedir exames complementares de diagnostico como por exemplo uma TAC (tomografia axial computorizada), para diagnostico diferencial, se achar necessário.

A prevenção é fundamental por isso os fatores desencadeantes devem ser evitados e podem ser prescritos medicamentos preventivos pelo que deve consultar o seu médico.

Uma vez instalada a crise a vitima deve procurar um local sossegado, escuro e sem ruido. Algumas pessoas sentem alivio ao exercer pressão na zona que dói, colocar frio no local da dor.

Os medicamentos prescritos para o tratamento da enxaqueca são, normalmente, os triptanos, ergotaminas e analgésicos que devem ser tomados segundo indicação médica.

Alerto para o uso indiscriminado de analgésicos, pois pode originar problemas graves de saúde!

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de maio de 2018) 

 

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