Investigação histórica tem de passar dos centros para a periferia, diz Avelino Menezes

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Por razões utilitárias são feitas divisões na história, mas é preciso estudar todas as épocas, todos os lugares, e nos Açores, sendo esta a principal preocupação, é preciso estudar todas as ilhas, todos os sítios, até porque a história é “una”.

A opinião foi expressa por Avelino Menezes, historiador e antigo reitor da Universidade dos Açores (UAç), que falava, este sábado, dia 21 de junho, no âmbito das I Jornadas da História Local, realizadas na cidade de Lagoa, ilha de São Miguel.

Segundo referiu, tradicionalmente houve sempre uma maior projeção em matéria de investigação, em redor das ilhas consideradas mais relevantes, no caso São Miguel, Terceira e por vezes o Faial.

Segundo Avelino Menezes, é preciso estender esse esforço de investigação à totalidade do arquipélago, já que as ilhas mais pequenas desempenharam papéis relevantes no passado, desde Santa Maria ao Corvo.

Segundo considerou, mesmo em relação às ilhas ditas maiores, ditas mais importantes, é preciso que também a investigação histórica passe dos centros para a periferia.

“A história reporta-se aos papéis desempenhados por Ponta Delgada, Angra e por vezes da Horta, sendo que quase ninguém fala dos Ginetes em São Miguel, dos Altares na Terceira ou até mesmo Pero Miguel no Faial”, destacou Avelino Menezes.

Diz o antigo reitor da UAç que, a história local não pode ser entendida como um ramo menos qualificado da história, tendo uma importância extraordinária.

Para Avelino Menezes, a história local serve para reelaboração da história geral, sendo que, neste caso, serve para acrescentar e para corrigir as visões generalistas, mais globais, que correm o perigo de serem muito incompletas e eventualmente errados se não se ancorarem no conhecimento dos sítios, concelhos das ilhas, etc…, disse.

As I Jornadas de História Local, decorreram ao longo deste sábado, dia 21, numa organização do Instituto Cultural Padre João José Tavares e o Centro de História de Aquém e Além-Mar, tendo abordado temas como “O Concelho da Lagoa”, “A Religiosidade” e “A Economia e a Sociedade”, onde foram apresentados vários trabalhos realizados por alunos dos mestrados de História Insular e Atlântica (sécs.XV-XX) e Património, Museologia e Desenvolvimento, bem como do Doutoramento em História Insular e Atlântica (sécs.XV-XX). 

Houve lugar ainda para três conferências, uma sobre “O município Açoriano nos finais do Antigo Regime”, por Margarida Vaz do Rego Machado; “Da Lagoa no Século XVII: um olhar notarial” por Margarida Lalanda Sá Nogueira e a conferência “A História: um lugar de muitos lugares” proferida por Avelino Menezes.

DL

Categorias: Local

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