Governo dos Açores tudo tem feito para aumentar o rendimento dos agricultores, valorizar as produções e incentivar a inovação

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas assegurou, na Assembleia Legislativa, que o Governo dos Açores tudo tem feito, “no limite das suas competências e recursos”, para aumentar o rendimento dos produtores de leite, valorizar as produções e incentivar a inovação, destacando a trajetória de “desenvolvimento e reforço estrutural” que o setor do leite e laticínios tem registado.

João Ponte, que falava num debate, requerido pelo PSD, sobre ‘Produção de Leite e Lacticínios nos Açores – Estratégia pós 2020’, frisou que, nos Açores, há “produtores de leite de excelência” e o setor está “bem preparado e estruturado”, apontando que “70% dos animais do país classificados de ‘Excelente’ estão na Região e que, nos últimos 10 anos, a produção de leite cresceu 21%”.

O titular da pasta da Agricultura destacou ainda que a receita bruta da produção de leite paga aos agricultores em 2017 foi de 170 milhões de euros, as ajudas do POSEI referentes ao setor do leite atingiram 45 milhões de euros e o volume de negócios das indústrias de lacticínios foi superior a 300 milhões de euros.

João Ponte disse ser indesmentível que o desenvolvimento do setor do leite e lacticínios tem sido de “reforço estrutural e criação de valor”, pois “não há registo de insolvências em explorações, o número de produtores nos últimos dois anos não tem sofrido alterações significativas e a Região continua a bater recordes de produção”.

O governante reiterou que o Governo dos Açores está a trabalhar para impulsionar o setor do leite e dos lacticínios, apontando a realização de um estudo comparativo do leite dos Açores com o leite nacional e internacional, a cargo do Centro Açoriano do Leite e Lacticínios (CALL), a classificação da manteiga como produto de Identificação Geográfica Protegida (IGP), a elaboração de uma nova candidatura à Comissão Europeia para a promoção de produtos lácteos regionais e a realização de um estudo de avaliação à sustentabilidade das explorações agrícolas de produção de leite, entre outros exemplos.

No que diz respeito ao futuro, João Ponte afirmou que a aposta na qualidade do leite produzido é “absolutamente necessária”, mas também é imprescindível que a futura Política Agrícola Comum (PAC) assegure uma melhor posição dos agricultores na cadeira de abastecimento alimentar, criando, por exemplo, uma regulação de boas práticas, impedindo práticas desleais de comércio, até porque “o preço pago aos produtores nos Açores é fortemente influenciado pelos mercados internacionais”.

João Ponte considerou fundamental incrementar a exportação de produtos lácteos, tirando, desde logo, partido dos circuitos já estabelecidos por Portugal com países estrangeiros, alegando ser imperativo que a próxima PAC continue a disponibilizar recursos que privilegiem investimentos que aumentem a produtividade e a competitividade da fileira do leite, seja na modernização das explorações, na inovação da indústria ou nas infraestruturas.

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas destacou também que o rejuvenescimento do setor leiteiro continua a ser fulcral, pelo que a próxima PAC, cujo primeiro quadro financeiro orçamental será conhecido nos próximos meses, passa por melhorar o regime de apoio à primeira instalação, apoiando os jovens de uma forma mais simples e orientada.

João Ponte anunciou que o Governo dos Açores está a preparar o Programa Jovem Agricultor, para discuti-lo com as associações de jovens agricultores no arquipélago, com o intuito de cativar a entrada de mais jovens no setor agrícola, assegurando, por esta via, a sua sustentabilidade futura.

O Secretário Regional garantiu também que o ciclo de debates com os agricultores sobre os desafios da agricultura e o futuro da PAC, iniciado na semana passada em São Jorge, terá continuidade nos próximos meses nas restantes ilhas do arquipélago, considerando que os contributos recolhidos serão determinantes para a Região ter um bom Plano Estratégico da PAC pós 2020, documento que será apresentado no final do primeiro semestre de 2019.

Apesar da Região estar a trabalhar há cerca de um ano sobre a PAC pós 2020, João Ponte afirmou que o foco atualmente está “na boa execução do atual quadro em vigor, para que os Açores tenham a melhor posição de partida possível”, sendo as alterações propostas à Comissão Europeia no POSEI e PRORURAL+ bons exemplos deste trabalho.

DL/Gacs

Categorias: Regional

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*