Espaço saúde: PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV)

PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV)
“Há cancros que podem ser prevenidos.”
Liga Portuguesa Contra o Cancro

O Papilomavírus Humano é um vírus que causa uma das infeções mais comuns transmitidas sexualmente. Em grande parte dos casos o organismo elimina este vírus, mas em algumas pessoas este pode lá permanecer e levar ao desenvolvimento de doenças como, condilomas ou verrugas genitais, cancro do colo do útero, do ânus, do pénis, da vulva, da vagina, e outros.

Estima-se que, anualmente, surjam cerca de 528 mil novos casos de cancro por HPV, o que faz com que este seja o quarto cancro mais comum na população feminina a nível mundial. Contudo este vírus não escolhe género, nem idade nem classe social.

Traduzido em números, o HPV é responsável por 100% dos cancros do colo do útero, 84% dos cancros do ânus, 70% dos cancros da vagina, 47% dos cancros do pénis, 40% dos cancros da vulva e por 99% dos condilomas ou verrugas genitais.

Existem mais de 200 tipos de papiloma vírus e estão classificados em função do seu potencial oncogénico, ou seja, potencial para desenvolver cancro. Assim existem os de baixo risco, de risco indeterminado e de alto risco. Em relação a estes últimos os mais comuns são os genótipos HPV 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58.

A transmissão pode ocorrer através de qualquer tipo de contacto sexual/genital ou oral.

Na maioria dos casos, a pessoa infetada pelo HPV não apresenta sintomas. O vírus pode ficar latente no organismo por muito tempo sem se manifestar, no entanto pode ser transmitido. Em situações de stress, gravidez ou quando o sistema imunitário se encontra fragilizado, o vírus pode desenvolver-se e manifestar-se de diferentes formas.

A mais frequente das manifestações de uma infeção por HPV são as verrugas, causadas por subtipos cutâneos, podem aparecer lesões nas mãos, pés, rosto entre outras. Neste caso a transmissão pode ter origem no contato com zonas infetadas e pode ocorrer autoinoculação, sendo infetadas outras áreas do corpo na mesma pessoa. Estas infeção não estão relacionadas com desenvolvimento de cancro.

Quando é infetada a região genital e anal, ocorrem verrugas na vulva, pénis e ânus. Situação denominada por Condiloma acuminado, verifica-se em adultos sexualmente ativos, com maior predominância no sexo feminino.

Estes vírus podem também manifestar-se nas vias respiratórias, Papilomatose respiratória. Ocorre a formação de verrugas que podem mesmo ser responsáveis pela obstrução à passagem do ar o que leva a intervenção cirúrgica.

O diagnóstico é feito com base na história clinica, exames físicos, exames complementares de diagnóstico como por exemplo análise bioquímica.

No que respeita ao cancro do colo do útero, consequência mais grave da infeção por HPV, é fundamental o rastreio através do exame Papanicolau. Este não permite detetar a presença do vírus mas sim as lesões/alterações causadas por este. Existem técnicas laboratoriais que permitem diagnosticar e tipificar o HPV.

Após uma citologia, colposcopia ou peniscopia positivas é comum a realização de biopsias para observação e caracterização das alterações celulares.

Uma vez diagnosticada a infeção, o tratamento tem como objetivo a destruição do tecido infetado e pode ser realizado de diferentes formas em função do tipo de lesão. No caso particular do cancro do colo do útero estão indicadas terapias como a quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

Prevenção:

A infeção por estirpes cutâneas pode ser prevenida através da proteção apropriada dos pés em balneários, ao evitar o contato com superfícies nos sanitários públicos ou em outros sítios com higiene duvidosa. As pessoas com verrugas devem tratá-las de forma a evitar a infeção de outras zonas do seu corpo.

As infeções por variantes genitais do HPV ocorrem normalmente por contato sexual, pelo que as medidas preventivas passam por evitar comportamentos de risco tais como vários parceiros sexuais e a não utilização do preservativo. O uso do preservativo está indicado na prevenção de todas as infeções de transmissão sexual, mas atenção as áreas de pele não cobertas pelo preservativo não estão protegidas, assim a sua eficácia é reduzida no que respeita ao HPV.

Existem vacinas contra o Papilomavirus humano (HPV), no nosso país há duas disponíveis contra estirpes de alto risco para o desenvolvimento do cancro do colo do útero e dos condilomas acuminados. Todas as meninas são vacinadas, gratuitamente, por volta dos 10 anos de idade com duas doses de uma vacina contra nove estirpes de HPV de alto risco, intervaladas de seis meses, conforme plasmado no Plano Nacional de Vacinação.

Se não faz parte desta faixa etária e pretende vacinar-se deverá falar com o seu médico de família ou da especialidade.

A vacinação contra o HPV é eficaz desde que a infeção não tenha sido adquirida e protege apenas contra as estirpes contidas na vacina e não de todas. Salienta-se a importância da realização periódica de um exame ginecológico.

Lembre-se que é muito importante conhecer as formas de prevenção e utiliza-las sempre!

 

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de março de 2018)

Categorias: Espaço saúde, Local, Opinião

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*