Jornal LusoPresse… Um projeto talhado à minha imagem

Por Norberto Marques Aguiar*

Depois de ter dirigido o jornal A Voz de Portugal durante cerca de 10 anos, achei por bem iniciar o meu próprio projeto jornalístico, ao fundar o LusoPresse.

Foi em 1 de dezembro de 1996 que o primeiro número do novo periódico apareceu nas bancas das instituições e comércios da Comunidade Portuguesa do Quebeque.

O LusoPresse, ao aparecer, não teve vida fácil, principalmente por vir competir com outros três jornais, demasiados, dizia-se, para uma comunidade pequena – 60/70 mil almas… – e muito dispersa, estendida por cidades – Montreal, Gatineau, Quebeque – a mais de duas, três centenas de quilómetros entre elas…

Mas a fogosidade que pusemos no alavancamento deste projeto, aliada aos conhecimentos e experiência que tinha da comunidade jornalística portuguesa do Quebeque, levou-me a bom porto, que é como quem diz, a ter sucesso com um jornal que acaba de comemorar 21 anos!

Agora, se recuarmos a 1996, os Velhos do Restelo, que também os há por cá, até prognosticaram que o novo jornal não teria senão dois ou três meses de vida, por vir saturar o meio jornalístico português local e também pela qualidade que apresentava – melhor papel e a quatro cores – que o elevavam para um patamar de custos incomportável com um mercado pequeno e difícil pelo excesso da oferta. Não se esqueça que nem falamos aqui na rádio e televisão comunitárias, também concorrentes no mesmo espaço publicitário…

Mas eu tinha a certeza do que queria.

E o que eu queria era um jornal feito à minha imagem. Que interviesse no dia-a-dia da vida comunitária; que mexesse com o ram-ram a que todos estavam acomodados. Foi assim que passámos a «correr» atrás dos clubes e associações, dos organismos sociais e outros, reportando tudo o que de bom ou de menos bom neles se fazia. E passámos igualmente a entrevistar quem tinha responsabilidades comunitárias. E fomos à descoberta de valores até então desconhecidos dos nossos próprios concidadãos. Também alargámos a nossa ação ao que acontecia na comunidade de acolhimento e que ao nosso grupo étnico dizia respeito. Fomos ainda à «conquista» de terreno alheio, enviando os nossos colaboradores amiúde em serviços de reportagem a Portugal – Continente e Açores -, Brasil, Estados Unidos, Moçambique, África do Sul…, coisa até então inédita, principalmente pela frequência com que o fazíamos. Numa palavra, o LusoPresse em pouco tempo passou a ser «o menino bonito» da imprensa portuguesa do Quebeque.

Mas para esse reconhecimento muito contribui a equipa redatorial que eu reuniu desde a primeira hora. De colaboradores consagrados e de grande prestígio, como o Professor Onésimo Teotónio Almeida – ainda hoje colabora connosco! – ao grupo de jovens que recrutámos para os nossos quadros e que trouxe a energia e o dinamismo de quem tem o sangue na guelra.

Outro dado importante na estima com que o nosso jornal é tido pela comunidade que serve, relaciona-se com os projetos culturais anualmente levados a cabo por nós. São 21 anos de promoção contínua da língua, da cultura, do desporto… na Comunidade Portuguesa do Quebeque, e não só. Com uma pontinha de orgulho, é verdade, isto satisfaz-nos sobremaneira.

Outros projetos que o LusoPresse muito se orgulha de ter realizado no decorrer da sua existência foram, por exemplo, as edições lançadas, precisamente nesta cidade de Lagoa que tanto amamos, em agosto de 2000 e, mais recentemente, em agosto de 2017; uma edição a nível nacional canadiano – inédita ainda hoje! – em 2003, e uma outra realizada em 2016 em Ste-Thérèse, cidade geminada com a Lagoa…

Até 2004 o LusoPresse foi mensário. Daí para cá passou a duas edições por mês.

Entretanto, de há quatro anos a esta parte, o jornal LusoPresse tem um irmão gémeo. Trata-se do programa televisivo LusaQ TV, dirigido e realizado pela mesma equipa.

Aniversários
Nos dias 26, 27 e 28 de janeiro, isto no âmbito dos aniversários do LusoPresse (21 anos a 1 de dezembro último) e da LusaQ TV (11 de dezembro passado), organizamos, respetivamente, uma receção, um jantar, no qual serão entregues troféus a quatro pessoas da comunidade que mais se distinguiram em 2017, e um colóquio sobre os Média Portugueses do Quebeque – de 1958 aos nossos dias. 1958, precisamente o ano em que apareceu o primeiro órgão de comunicação social da comunidade e que se chamava Luso-canadiano.

Naquelas comemorações, para além de vários convidados, atuaram como palestrantes os professores universitários Lélia Pereira Nunes (Cadeira 26 da Academia de Letras de Santa Catarina, no Brasil) e Luís Leonardo Marques Aguiar (Universidade da Colômbia Britânica – campus Kelowna).

* Único proprietário de ambos os órgãos de comunicação social.

Categorias: Comunidades, Opinião

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