Bonecos de barro continuarão a fazer parte da história da Lagoa

Não foi desde pequenino que descobriu este gosto, mas desde que começou, foi algo que lhe despertou a paixão. João Arruda descobriu no presépio, uma das suas paixões.

Segundo conta à nossa reportagem, sempre teve gosto por fazer os bonecos do presépio tradicional, e quando começou, foi adquirindo experiência e evoluindo.

Foi tirando algumas formações, depois começaram a surgir as encomendas, e desde então, nunca mais parou.

O bonecreiro, natural de Santa Cruz, Lagoa, recorda que faz os seus próprios bonecos, depois de uma recolha de bonecos antigos. Começou por fazer em casa, agora passou a fazê-los no seu atelier.

Um espaço importante e que surge duma necessidade há muito sentida na Lagoa, apesar da sua tradição de bonecos de presépio. Trata-se de um espaço de venda ao público, dividido com a sua filha.

João Arruda recorda que, embora a Lagoa tenha grande tradição de bonecos de presépio, não havia um espaço onde as pessoas pudessem ver. Depois de ter as encomendas e de ter já um bom leque de clientes, surge agora este espaço.

Segundo conta, a procura é grande e recai sobre os bonecos tradicionais, assim como bonecos únicos. “O que sai mais são os bonecos tradicionais, as romarias, as procissões, as matanças de porco, sempre dentro desta área”.

Destaca ainda que algumas pessoas dão a ideia do que pretendem e tenta concretizar o pedido. “Tendo aproximar o máximo possível, e isso requer muita prática e muitas horas”.

A população local procura os seus trabalhos, mas o número de turistas à procura também tem vindo a aumentar, sendo que o espaço aberto ao público acaba por ajudar.

João Arruda diz que tem sido agradável ter muitas pessoas de fora à procura, e diz ser uma pena não haver mais espaços do género porque há compradores para os bonecos tradicionais.

Quanto à continuidade desta arte, o artesão vê o futuro com positividade. “Começa a surgir pessoas novas interessadas. Há pessoal novo que está a começar, com prática e com o tempo vão melhorar. Já se vê muitas pessoas novas a criar os seus próprios presépios, o que demonstra o gosto por esta arte”.

Entre os bonecos de presépio, o cagão continua a ser o mais procurado, e há já encomendas para o estrangeiro.

Diz João Arruda que todos procuram esta figura, e recorda que em Barcelona existem exposições com esta figura e há já quem compra nos Açores para participar nestas.

Refira-se que, além dos tradicionais bonecos para o presépio, João Arruda faz também os bonecos para o Presépio de Lapinha, uma tradição secular.

O bonecreiro tem vindo a ser convidado a fazer vários workshops sobre a arte bonecreira, tendo estado recentemente, neste âmbito, nos EUA.

DL

Categorias: Cultura, Local

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