Espaço saúde: Sobre o consumo de tabaco

No nosso país, o tabaco mata cerca de 29 pessoas por dia, e é a principal causa evitável de morte. No resto do mundo, estima-se que vitima 6 milhões de pessoas por ano.

O consumo de tabaco constitui um grave problema de Saúde Pública refletindo-se severamente em custos sociais, económicos e de saúde.

Uma vez iniciado o consumo de tabaco, facilmente se torna numa dependência tanto a nível físico como psíquico. A droga psicoativa responsável por esta dependência é a nicotina que está presente nas folhas da planta do tabaco. O fumo do tabaco contém cerca de 5 mil compostos químicos, entre estes mais de quarenta são carcinogéneos como é o caso das nitrosaminas, acetaldeídos, cloreto de vinilo, arsénico, chumbo, níquel, cádmio, benzopirenos, entre muitos outros. Para além destes são adicionadas ao tabaco outras substâncias, como por exemplo a amónia, o cacau, glicerina, mentol, baunilha, entre outras, cujas consequências para a saúde, quando queimadas e inaladas, ainda não estão bem definidas.

A composição do tabaco e os inúmeros estudos epidemiológicos sobre este, confirmam que ao seu consumo está associada uma maior probabilidade de se virem a contrair imensas doenças.

Destas doenças destacam-se variados tipos de cancro, doenças do foro respiratório e circulatório.

Relativamente ao cancro, 90 % dos cancros do pulmão são causados pelo consumo de tabaco, cancro do lábio, língua, boca, faringe e laringe, cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas.

Das doenças do aparelho circulatório, destaca-se a doença isquémica cardíaca, responsável pelos enfartes, a nível respiratório posso indicar a bronquite crónica, o enfisema e a asma. São muitas as patologias associadas ao uso do tabaco enumerá-las todas seria tarefa difícil neste espaço. Refiro-me assim às que mais mortalidade e morbilidade causam. No que toca ao sexo feminino, a mulher fumadora tem um risco acrescido, pois o consumo de tabaco baixa a fertilidade, pode provocar uma menopausa mais precoce, risco aumentado de desenvolver osteoporose e, para mulheres acima dos 35 anos, que tomam a pilula aumenta o risco de doença cardiovascular. Na mulher gravida, aumenta o risco de aborto espontâneo, gravidez ectópica, prematuridade, baixo peso ao nascer e mortalidade perinatal.

É importante lembrar que o consumo de tabaco não prejudica apenas os fumadores, mas todas as pessoas que são obrigadas a respirar o fumo dos outros.

Sabe-se hoje que não fumadores sujeitos ao fumo do tabaco, os chamados fumadores passivos, têm uma maior probabilidade de vir a contrair cancro do pulmão, doenças cardiovasculares, bem como doenças respiratórias agudas e crónicas. As crianças de pais fumadores têm maior probabilidade de desenvolverem problemas respiratórios, do ouvido médio, entre outras.

Perante a gravidade da situação são muitas as medidas levadas a cabo pelos governos no sentido de diminuir a incidência e prevalência deste flagelo socialmente aceite. A Direção Geral de Saúde criou um Programa de Controlo do Tabagismo, com carater prioritário, com o objetivo de promover e desenvolver estratégias de prevenção e controlo do tabagismo em conjunto com as entidades competentes.

Quer deixar de fumar?
É a melhor decisão que pode tomar para melhorar a sua saúde e a saúde dos que o rodeiam.
Deixar de fumar traduz-se num aumento significativo da esperança de vida, redução para metade do risco de doença cardiovascular, diminuição do risco de desenvolver cancro da boca e do esófago bem como do cancro do pulmão.

Precisa de ajuda para deixar de fumar?
Muitas pessoas têm recorrido a uma consulta anti tabágica, consulta esta que fez que uma percentagem elevada de fumadores deixasse o consumo de tabaco.

A consulta anti tabágica encontra-se disponível nos Centros de Saúde da Região Autónoma dos Açores, é efetuada por uma equipa multidisciplinar composta por um médico, um psicólogo e um enfermeiro. Se está interessado só tem que se dirigir ao seu Centro de Saúde a fim de proceder á marcação de consulta e esclarecer as dúvidas que possa ter relativamente a esta.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de fevereiro de 2018)

Categorias: Espaço saúde, Saude

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*