Atual modelo económico dos Açores assenta em baixos salários e promove o risco de pobreza

O modelo económico dos Açores, implementado pelo Governo Regional, que se baseia em sectores de pouco valor acrescentado e em baixos salários, promove o risco de pobreza eminente. Um risco, que, nos Açores, é 10% superior à média nacional.

“Ao optar por abdicar do caminho para que a região constitua um centro de excelência no mar ou crie uma plataforma logística no Atlântico”, o Governo Regional “centra a nossa economia nos setores tradicionais, a que junta o turismo, que não é um setor que pague bons salários à generalidade dos trabalhadores”, assinalou o deputado António Lima num debate sobre a estratégia de combate à pobreza.

António Lima critica o recurso abusivo aos Programas Ocupacionais, que abrangem mais de 7 mil açorianos, e que são “um fator de pressão para baixar salários e direitos”. “Não seria mais correcto abrir os quadros e integrá-los onde são necessários?”, questionou o deputado do BE, que lembrou que a descida do desemprego nos últimos anos é resultado, afinal, de uma transferência de desempregados para programas ocupacionais”.

O Bloco considera que as medidas da “Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social” – documento apresentado pelo Governo Regional que esteve hoje em debate no parlamento – “estão muito longe das novas formas de encarar o fenómeno da pobreza”.

Além de pretender um novo modelo de desenvolvimento para os Açores, o BE defende a implementação de outras medidas mais imediatas para combater a pobreza, nomeadamente, o aumento de 15 euros do complemento regional para os idosos com pensões inferiores ao salário mínimo, a criação de um complemento regional ao RSI, a redução dos custos de acesso às creches, o aumento do número de psicólogos nas escolas, o combate à obesidade infanto-juvenil e às dependências de álcool e drogas, assim como a promoção do combate à violência de género.

António Lima salienta a importância do sector da Saúde para combater a pobreza e a exclusão social, e aponta os principais problemas: “os centros de saúde e hospitais têm listas de espera enormes e mais de 50.000 açorianos e açorianas, não tem médico de família”.

Perante estes dados, o deputado do BE quer saber “como vai o governo criar uma melhor articulação entre as diferentes unidades de saúde”, se “vai continuar a política de pagar a privados e deteriorar o Serviço Regional de Saúde”, e se “vai o governo regional pagar a construção de hospitais privados em vez de investir nos hospitais públicos”?

DL/BE

Categorias: Política

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