Primeira fase do Núcleo Museológico do Presépio inaugurada no Convento dos Franciscanos

A Câmara Municipal de Lagoa inaugurou a primeira fase do Núcleo Museológico do Presépio, patente no Convento dos Franciscanos.

Nesta primeira fase, o público poderá visitar um presépio constituído por um acervo de peças concebidas por diversos bonecreiros locais. No conjunto, que é dominado pelo tema da Natividade, coexistem cenas que tradicionalmente integram o presépio, com outras identitárias da nossa cultura, como o culto do Espírito Santo, a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, e a dança da “chamarrita”, conjugadas com quadros contemporâneos.

O presépio está montado sobre uma estrutura evocativa do Convento onde passará a estar exposto. A exposição ocupa uma das três salas onde, no princípio do próximo ano, será inaugurada a segunda fase, e que compreenderá o enquadramento histórico da arte bonecreira dedicada ao presépio, documentários sobre o tema, e uma área oficinal para o exercício de serviços educativos.

Com a abertura desta exposição, a autarquia pretende valorizar uma tradição do concelho de Lagoa conhecida também pela arte bonecreira, que nasceu a partir das cerâmicas existentes nesta localidade e que ainda subsiste através de alguns bonecreiros.

O coordenador da Área da Cultura e Educação, em declarações ao Jornal Diario da Lagoa, destaca dois aspetos essenciais deste Núcleo Museológico, sendo o primeiro uma reconciliação com a própria história. “Primeiro no plano geral, sendo o primeiro presépio conhecido datado de 1223 por São Francisco de Assis, e fá-lo para catequizar o evento da natividade”.

Igor França recorda que o Convento em Santa Cruz é da Ordem Franciscana, havendo assim essa reconciliação com a origem do presépio. Segundo explicou ao nosso jornal, os Franciscanos foram uma das principais ordens responsáveis pela envangelização dos povoadores, e quando se fixam na Lagoa, no séc. XVII, há um grande incentivo na construção dos presépios.

O segundo aspeto é a reconciliação com a memória concreta, e tem a ver com o facto de a Lagoa ter esta tradição. “Os presépios da Lagoa são muito interessantes, no seu caráter popular, e a sua forma identitária, que não se limita a apresentar uma cena bíblica, mas apresenta outras cenas religiosas, e que estão expostas neste presépio”.

Igor França diz de este núcleo é também uma forma de homenagear os bonecreiros da Lagoa, “e a abertura deste núcleo mostra que a autarquia não os esqueceu e que valoriza esta atividade”.

O coordenador da Área da Cultura e Educação acredita que este será mesmo um dos núcleos mais visitados que a autarquia disponibiliza.

Esta expetativa levou mesmo a ponderar este projeto, considerando-o de âncora, com uma exposição que terá algumas transformações ao longo do tempo.

DL

Categorias: Cultura, Local

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