“Comissão Europeia revê-se nos desafios da agricultura nos Açores na futura PAC”

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, entregou esta terça-feira, dia 19 de dezembro, em Bruxelas, um memorando com os principais desafios para a agricultura nos Açores, no âmbito da revisão da Política Agrícola Comum (PAC) pós 2020, com os quais a Comissão de Agricultura da União Europeia se identificou.

“Os desafios da agricultura nos Açores na futura PAC pós 2020 foram compreendidos e irão merecer a atenção por parte do gabinete do Comissário Europeu nos próximos tempos”, afirmou João Ponte, após uma reunião com o Adjunto para as RUP e POSEI do Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Kevin Keary.

O governante açoriano manifestou-se, desde logo, preocupado com o facto do fim das quotas leiteiras, em 2015, ter provocado uma quebra no preço do leite pago aos produtores no arquipélago, que é uma região ultraperiférica, longe dos mercados e dispersa geograficamente.

“O preço do leite nos Açores é o mais baixo da Europa, apesar de ser um produto de excelente qualidade”, referiu João Ponte, acrescentando que a diferença do preço do leite pago nos Açores com Portugal continental e com os restantes Estados-Membros é ainda considerável.

Para João Ponte, que esteve acompanhado na reunião pelo Diretor Regional do Desenvolvimento Rural, pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores e pelo Coordenador do Gabinete da Representação dos Açores em Bruxelas, a revisão da PAC tem de introduzir medidas que assegurem e garantam o aumento do rendimento global dos agricultores, bem como uma distribuição justa de rendimentos na cadeia alimentar.

Segundo o executivo regional, atualmente a média etária dos agricultores nos Açores é de 57 anos, a mais jovem do país, e segundo João Ponte, até ao final do próximo quadro comunitário de apoio a média etário subirá para 67 anos.

“Este facto merece que a próxima PAC comtemple medidas atrativas para uma retirada justa dos agricultores mais antigos e, ao mesmo tempo, seja capaz de chamar mais jovens e também novos agricultores ao setor, de modo a assegurar sustentabilidade da agricultura nos Açores”, defendeu João Ponte.

Ao mesmo tempo, o Secretário Regional da Agricultura e Florestas considerou ser importante para a sustentabilidade do setor no arquipélago haver um reforço de 15% nos fundos do POSEI, dado que “o atual orçamento não é suficiente para atender a todos os pedidos sem efetuar rateios, nem assegure novas ajudas”.

Relativamente ao segundo pilar da PAC, a política de desenvolvimento rural, João Ponte disse que os Açores também defendem um reforço orçamental e a manutenção das atuais taxas de cofinanciamento aplicadas às Regiões Ultraperiféricas.

“Este segundo pilar é extremamente importante para dar resposta à melhoria da competitividade do setor, aos investimentos que têm necessariamente que ser feitos na modernização do setor, nas instalações e infraestruturas públicas, para chamar mais jovens ao setor agrícola, para assegurar a rentabilidade das explorações e a manutenção da nossa agricultura”, frisou o governante açoriano, com a tutela da Agricultura.

Na agenda das preocupações dos Açores está, ainda, a necessidade de se assegurar uma transição tranquila entre quadros comunitários de apoio, de modo a que não sejam interrompidos os apoios financeiros aos agricultores.

DL/Gacs

Categorias: Regional

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