Jorge Rita diz que este governo comete erros que os anteriores não cometiam

O Presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) considera que a relação com o Governo Regional por vezes é difícil, porque existem objetivos e estratégicas diferentes, e o executivo não percebe as estratégias da Associação, ou se percebe, não as quer aceitar.

Jorge Rita falava recentemente em entrevista à Rádio Nova Cidade, onde adiantou que o atual governo tem problemas em anunciar medidas propostas pela Associação e Federação Agrícola dos Açores (FAA). “Nenhum governante trouxe até hoje nenhuma novidade que fosse aceitável, todas elas são decalcadas pelo trabalho da Associação ou Federação, feito ao longo dos anos”.

O também presidente da FAA diz que, politicamente, esta situação é um erro. “Este é um governo que comete os erros que os governos anteriores não cometiam. No governo anterior, por uma questão de inteligência de governação, as grandes medidas para o setor normalmente eram anunciadas pela Federação, até porque o trabalho normalmente é feito em conjunto”, disse neste entrevista.

O homem forte da lavoura açoriana vai mais longe e diz mesmo que “parece que o governo tem dificuldades em aceitar e que a presença da Federação ou Associação é um incómodo”, dando o exemplo de várias reuniões entre a FAA e/ou AASM com o Secretário da Agricultura sem comunicação social ou publicidade nas redes sociais, ao contrário de outras reuniões, de outras pastas, que são de imediato anunciadas.

Jorge Rita diz mesmo não entender esta estratégia, até porque, foi convidado para estar, esta semana, em Bruxelas, a acompanhar o Secretário Regional da Agricultura e Florestas na conferência sobre o futuro da alimentação e agricultura, onde haverá ainda reuniões com o Adjunto para as RUP e POSEI do Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural. “Se fui convidado é porque tem interesse, porque o peso e a aceitação da Associação, a este nível, é necessário, porque se fosse apenas para apresentar soluções da União Europeia, eu não era convidado”, ressalvou.

O presidente da AAMS recorda que, quando o governo precisa de um aliado, a lavoura está na linha da frente, mas não abdicam do que entendem ser justo e estratégico.

“O governo percebe, ou não quer perceber, que a Associação tem um papel de reivindicação muito importante e não vai abdicar dela, independentemente da cor política que esteja no poder”.

Jorge Rita diz entender que a posição da Associação incomoda alguns políticos, e acha estranho que algumas decisões, que podiam ser tomadas em conjunto, até porque muitas vezes 90% do trabalho é da lavoura, são anunciadas como se fossem do governo.

Por outro lado, o presidente da AASM deixou críticas do poder e controle que o governo faz sobre grande parte da comunicação social, havendo cada vez menos o contraditório. “Isto não é bom para a democracia e para viver numa terra em que as coisas funcionem melhor, é preciso saber acatar as críticas e todos em conjunto ter melhores desempenhos”.

Pode ouvir a entrevista completa neste vídeo:

DL/RNC

Categorias: Regional

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