EBI de Água de Pau: Aula de fora

Era um dia como qualquer outro. E, de repente, deixou de o ser.

Era um dia de novembro… e eis que passou a ser um dia marcante nas nossas vidas.

23 de novembro de 2017. A sala começou a compor-se, aos poucos, à medida que os alunos chegavam. Não tardou a que estivesse cheia, com as turmas do 7.º C e dos 8.ºs A e C, acompanhados pelas docentes Malvina Sousa, a organizadora e coordenadora da atividade e elemento da equipa da Biblioteca escolar, assim como por Sónia Bogas, Sara Sousa e Isaura Neves.

Era um dia como qualquer outro.

Mas fez-se silêncio. E ouviram-se histórias de vida que têm tanto de perturbador como de inspirador! E de uma realidade crua, mas direta, sem rodeios! E contada na primeira pessoa!

A palavra foi dada a Micaela Rodrigues, portadora de paralisia cerebral e possuidora de dificuldades motoras, que começou por revelar a sua tocante história de vida. Micaela explicou-nos a sua condição e contou-nos as suas experiências e vivências, as suas emoções, tristezas e alegrias e o modo como a sociedade olha para essas diferenças.

Desengane-se quem pensa que Micaela se lamentou! Pelo contrário! Ofereceu garra a todas as vidas presentes naquela sala… e revelou ser uma inspiração, um grande exemplo de vida e de força, deixando-nos a mensagem de que devemos agradecer cada dia pelo que temos e que há coisas que podem parecer impossíveis… até que, se nos atrevermos a acreditar e a sonhar, deixam de o ser.

Os alunos ouviram. Questionaram. Quiseram saber. E sonharam como quem sonha… como quem vive!

Depois, “tomou a palavra” a senhora Maria João Raposo, com surdez de nascença, acompanhada pela sua intérprete, a senhora Andreia, ambas da ASISM (Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel).

Juntas, falaram da condição de Maria João, que não ouve, mas vê e sente a vida com um brilho inspirador no olhar! Juntas, falaram das diferenças que sente uma pessoa surda na sua vida, das lutas que trava, das discriminações que a podiam reprimir, não fosse ela uma lutadora que ama a vida… deram a conhecer a sua instituição e, no final, ainda houve espaço para a demonstração prática de língua gestual junto dos alunos, que aprenderam alguns gestos básicos da mesma.

Durante esta Aula de Fora, em cada momento, se sentiu que existe uma forma de comunicação única, não expressa por palavras, mas sim por emoções!

Mais uma vez, os alunos ouviram. Questionaram. Incorporaram. Quiseram saber.

Ao longo desta aula, com uma maneira de olhar para as coisas e para a vida já distinta, todos os participantes sentiram que, apesar das dificuldades e diferenças que qualquer pessoa possa ter, é a perseverança ou a forma como se olha para a vida que determina quem somos e o que queremos ser. Todos nós ficamos mais ricos interiormente e percebemos melhor como enfrentar a vida e lidar com as nossas lutas, com as diferenças, reestabelecendo forças e valores na nossa sociedade, tornando-a mais consciente, justa e verdadeira.

E todos nós percebemos que as lições podem estar em todo o lado, em cada um de nós.

Assim se cumpre a escola… na EBI de Água de Pau!

A sala estava cheia. E os nossos corações ficaram ainda mais!

A organizadora/coordenadora da “Aula de Fora”: Malvina Sousa

 

Nota: a “Aula de Fora”, criada pela docente Malvina Sousa, é uma dinâmica na qual temos a presença de pessoas que não pertencem à escola interna, mas à grande escola da vida, que é a comunidade escolar de todos e que vêm dar o seu testemunho de vida. Estes momentos pretendem constituir um alerta aos nossos alunos no que diz respeito a atitudes e valores de cidadania, assim como à forma como estes olham para a vida, veem as diferenças de cada um e constroem cada dia da sua vida.

Categorias: EBI Água de Pau

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