SATA Air Açores desenvolve projecto Electronic Flight Bag

Criada em 1941 por um grupo de Açorianos, com o propósito de eliminar o isolamento entre as ilhas do Arquipélago dos Açores, a SATA Air Açores, acredita que deu recentemente provas de que “pioneirismo, inovação e excelência” continuam entre os principais valores que norteiam a sua importante missão.

Segundo uma nota enviada à nossa redação, a mais antiga companhia aérea de Portugal opera há 76 anos num ambiente operacional reconhecidamente complexo e exigente, caracterizado por condições meteorológicas adversas, pistas limitadas, voos curtos e elevado workload. Em apenas 25 minutos (tempo médio de voo na Região Autónoma dos Açores), além de responsáveis pela gestão do voo, as tripulações da SATA Air Açores consultam e preenchem toda a informação exigida no processo de voo, que frequentemente excede em tamanho as 150 páginas.

Ciente das características muito específicas da sua operação e do tempo limitado para efectuar tarefas secundárias em voo, desde o final de 2012 a SATA Air Açores tem vindo a desenvolver o projecto Electronic Flight Bag (doravante designado de EFB), com o objectivo de simplificar processos e procedimentos através da eliminação do papel na sua operação. Reconhecido como um case study de sucesso e apresentado recentemente em Sevilha, no seminário anual da Thales Avionics e em Munique, na conferência de operadores Bombardier, o projecto Electronic Flight Bag coloca a SATA
Air Açores entre os gigantes da indústria que, cada vez mais, apostam nesta tecnologia para aumentar a eficiência da sua operação e reduzir a pegada ambiental. Com a implementação do EFB na sua operação, o processo de voo, manuais e documentação da aeronave passaram a estar disponíveis para consulta e preenchimento digitalmente, através de iPad’s instalados nos cockpits de todas as aeronaves.

A certificação inicial da arquitectura do sistema EFB e desenvolvimento de procedimentos de operação normal e anormal tiveram uma duração aproximada de dois anos e meio, envolvendo a certificação junto da EASA de alterações no cockpit de todas as aeronaves (para instalação de braços de fixação e fontes de alimentação eléctrica), assim como testes de qualificação do iPad para utilização a bordo em todas as fases de voo – um protótipo foi enviado para os laboratórios da Thales, em Toulouse, onde foi sujeito a testes de despressurização rápida, interferência electromagnética e
certificação de baterias de lítio.

Terminado o desenvolvimento da solução, deu-se início ao treino de utilização do sistema, último passo antes do início de operação com o EFB. Pilotos, oficiais de operações de voo e pessoal administrativo da direção de operações de voo receberam treino teórico, de simulador ou on job training, conforme o seu grau de interacção com o sistema.

O sistema EFB foi desenvolvido pela equipa da direção de operações de voo da SATA Air Açores em parceria com a Thales, estando totalmente integrado com os sistemas de planeamento de tripulações, planeamento de voo, performance e arquivo digital da companhia. A integração dos sistemas de backoffice previamente utilizados pela SATA Air Açores com o EFB constituiu a primeira grande vantagem da sua implementação, ao simplificar processos e automatizar a disseminação de informação entre sistemas, tendo como corolário uma drástica redução no tempo e número de tarefas efectuadas manualmente.

Numa primeira fase, a implementação do EFB focou-se, em particular, na eliminação de cartas de navegação e da biblioteca de bordo em formato de papel, transformando-as num repositório digital disponível no EFB. Após um período de avaliação operacional de seis meses, também designado como proof of concept, a ANAC concedeu aprovação para as referidas funcionalidades, procedendose à remoção de aproximadamente 180kg de manuais dos cockpits de todas as aeronaves da SATA Air Açores (o equivalente a mais de 35.000 páginas de papel, excluindo documentação interna e cartas de navegação). Com este passo, dá-se o primeiro grande impacto operacional e financeiro para a companhia: a redução do dry operating weight de cada aeronave em cerca de 30kg reflectiuse num aumento do payload anual disponível na ordem das 525 toneladas, acompanhado por uma redução de custos relacionada com a subscrição de serviços por via electrónica. A nível operacional, a primeira fase do projecto teve ainda um impacto considerável na redução do workload e heads down time das tripulações, que se traduziram directamente num aumento da eficiência e da segurança de voo. A transposição da biblioteca de voo para o EFB veio eliminar os processos manuais de actualização da documentação de bordo, anteriormente dependentes da disponibilidade de cada aeronave na base – com a nova solução, estas actualizações são articuladas através da nuvem e sincronizadas no EFB através de 3G, independentemente da hora ou localização do avião. Os reportes de ocorrências (relativas a operações, ou colisão com aves), safety reports, passageiros desordeiros e outros reportes de cariz operacional, foram reproduzidos digitalmente no EFB, eliminando também a sua presença física no cockpit. O preenchimento e submissão é efectuado pelo piloto através do EFB, que o encaminha por e-mail para os destinatários predefinidos.

Na segunda fase do projecto, a SATA Air Açores avançou para a conversão do processo de voo para formato electrónico, passando a disponibilizar os planos de voo operacionais, NOTAMs, meteorologia, planeamento de combustível e performance computorizada estática exclusivamente através do EFB.

Para isso, o sistema EFB foi integrado com os sistemas de backoffice da companhia (planeamento de tripulações, planeamento de voo, performance e arquivo digital) que, sem intervenção humana, alimentam o EFB com toda a informação de que necessita para a criação do processo de voo electrónico – assim que agregado, o mesmo é colocado na nuvem, ficando disponível para sincronização pela tripulação via 3G.

Os EFB’s de cada piloto são capazes de comunicar entre si através de Bluetooth, permitindo que ambos os pilotos tenham acesso, em qualquer momento, a toda a informação preenchida no decorrer do voo.

Após aterragem, o processo de voo é submetido para a nuvem, que o encaminha em tempo real para os sistemas backoffice da SATA Air Açores, para processamento e arquivo de dados num repositório digital, por um período de 5 anos. A eliminação do processo de voo em papel, representa uma poupança anual de mais de 1100 resmas de papel, constituindo mais uma considerável redução de custos e da pegada ambiental.

No passado dia 1 de Novembro, na sequência da aprovação final do EFB Portátil com aplicações Tipo A e B, a SATA Air Açores fez a transição definitiva para o voo paperless, estando entre os primeiros operadores a nível Europeu a conseguir esta complexa certificação e dando um importante passo rumo à simplificação de processos e modernização da operação.

DL/GSM

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