Diminuição da poluição luminosa é fundamental para saída segura dos cagarros

Segundo o Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou, “a minimização dos efeitos negativos da poluição luminosa é um ponto central” para a saída, em segurança, dos cagarros juvenis dos ninhos para o seu primeiro voo atlântico.

Nesse sentido, e à semelhança de anos anteriores, Filipe Porteiro sublinhou que “foram tomadas medidas para a redução da iluminação pública, principalmente nos locais identificados anteriormente como sendo os mais críticos”, contando com a colaboração das entidades responsáveis por pontos de poluição luminosa, nomeadamente autarquias, a EDA e a Portos dos Açores.

O Diretor Regional, que falava no encerramento da Campanha SOS Cagarro, fez o balanço da edição deste ano desta iniciativa, que permitiu salvar 2.839 cagarros em todo o arquipélago.

Segundo os dados recolhidos, durante a campanha deste ano, que decorreu entre 15 de outubro e 22 de novembro, procedeu-se à anilhagem de 1.000 aves, tendo sido registados 128 cagarros mortos e 55 feridos.

Realizaram-se 450 Brigadas SOS Cagarro, envolvendo cerca de 250 parceiros e mais de 3.000 pessoas, entre voluntários e público-alvo de ações de sensibilização.

Este ano deu-se continuidade às brigadas científicas, iniciadas em 2016, em colaboração com a Universidade dos Açores, Parques Naturais de Ilha, organizações não governamentais e outras entidades e cidadãos que aderiram a esta iniciativa de ciência pública, tendo sido realizadas 56 brigadas.

O Diretor Regional destacou a importância destas brigadas, que permitem recolher “informação mais precisa e útil para estudar cientificamente a relação entre a queda de cagarros juvenis com as fontes de luminosidade existentes, entre outras variáveis”.

À semelhança de anos anteriores, para além da anilhagem de aves, para facilitar o estudo da espécie e aferir se regressam aos Açores, desenvolveram-se iniciativas de recuperação de aves feridas, incluindo a transferência destas aves para centros de reabilitação.

Algumas das aves encontradas mortas foram recolhidas e conservadas, em colaboração com a Lotaçor, com o objetivo de se estudar o seu conteúdo estomacal e compreender melhor de que forma esta espécie está a ser afetada pelo lixo marinho.

Filipe Porteiro referiu ainda que a campanha deste ano, tal como em 2016, “assumiu-se como uma atividade participativa de ecoturismo, promovendo os Açores como destino sustentável, através de ações inclusivas de conservação ambiental”.

Nesse sentido, e em parceria com a Associação de Turismo dos Açores (ATA), os agentes turísticos da Região foram sensibilizados para divulgarem esta iniciativa, incentivando os turistas a participar ativamente na campanha, contribuindo para a proteção desta ave marinha.

Com mais de duas décadas, a Campanha SOS Cagarro, que visa alertar a população para a necessidade de preservação desta espécie protegida que nidifica nos Açores, é considerada um caso de sucesso de participação cívica no âmbito da conservação da natureza.

Esta campanha é organizada pela Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional dos Assuntos do Mar, com o apoio da Direção Regional do Ambiente e de parceiros institucionais, como os Parques Naturais de Ilha e a Azorina.

Esta iniciativa conta com a colaboração da Polícia de Segurança Pública, da Guarda Nacional Republicana, das corporações de bombeiros do arquipélago, dos veterinários dos Serviços de Desenvolvimento Agrário e de veterinários particulares e ainda com o apoio das organizações não governamentais de Ambiente, nomeadamente o Observatório do Mar dos Açores, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Gê-Questa, o Centro de Ciências de Angra do Heroísmo, os Montanheiros, os Amigos dos Açores, os Amigos do Calhau, e ainda com a parceria da Atlânticoline e da rent-a-car Ilha Verde.

DL/Gacs

Categorias: Regional

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