Espaço saúde: Doença dos legionários ou legionelose

Nas últimas semanas foi registado em Portugal um surto de legionelose que causou a morte, até á data deste artigo, de 5 pessoas, tendo sido registados 54 casos confirmados desta infeção. O foco foi uma torre de arrefecimento do hospital Francisco Xavier em Lisboa.

Não é a primeira vez que um surto desta natureza afeta o nosso país. Em novembro de 2014 um foco com origem numa torre de refrigeração de uma fábrica de adubos em Vila Franca de Xira vitimou 12 pessoas, tendo o número de infetados atingido os 375.

Esta doença foi descoberta em 1976, na cidade americana de Filadélfia aquando de uma conferência de legionários, veteranos de guerra. Ocorreram, então, vários casos de pneumonia atípica sem causa conhecida.

A Doença dos legionários, como ficou conhecida, é uma forma de pneumonia grave causada pela bactéria Legionella pneumophila.

A doença manifesta-se normalmente 5-6 dias após a infeção, podendo em, alguns casos, este período ser de 2-10 dias.

Os sintomas que as pessoas infetadas apresentam são tosse seca, febre, arrepios, tremores, dor de cabeça, dores musculares, dor no peito e dificuldade respiratória, podendo também surgir sintomas do foro gastrointestinal como náusea, vomito, dor abdominal e diarreia.

As complicações são insuficiência respiratória, insuficiência renal, bacteriemia, alteração do estado de consciência, desidratação e coma. A doença é responsável pela morte de quase 10% das pessoas infetadas saudáveis e de 80% de pessoas infetadas com sistema imunitário deprimido. Assim consideram-se mais vulneráveis as pessoas com mais de 50 anos, doentes crónicos, fumadores e alcoólicos.

A doença dos legionários ou legionelose contrai-se pela inalação da bactéria Legionella presente em aerossóis de água contaminada. Esta água provém de diversos tipos de reservatórios, podendo ser naturais como rios, lagos, e artificiais como torneiras, chuveiros, spas, saunas, piscinas, autoclismos, entre outros.

Concentrações elevadas são verificadas em sistemas de água artificiais com manutenção deficitária, nomeadamente torres de refrigeração e condensadores evaporativos, equipamentos de humidificação, fontes ornamentais, etc

A Legionella pode multiplicar em circuitos de água, tais como: depósitos de água com temperaturas a variar entre os 25°C e 42°C, canalizações de água com fluxo reduzido ou nulo, lodos e sujidade nas tubagens de chuveiros e torneiras, bem como nas superfícies internas de depósitos, entre outras.

O diagnóstico é feito com base no quadro clínico e resultados de exames laboratoriais apresentados pela pessoa infetada. 

É uma doença tratável através de antibióticos, mas considerada grave.

Não existe vacina para prevenção desta patologia, pelo que se torna imprescindível a vigilância e manutenção das instalações e equipamentos que utilizem água e que são suscetíveis de ter a bactéria Legionella, são exemplos unidades industriais, balneários, hotéis e hospitais.

 

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de dezembro de 2017

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