À memória do poeta João Silvério Almeida Sousa

É meu, nosso dever, celebrar a vida do Poeta João Silvério Almeida Sousa, cuja ausência se transforma em perene presença, pois a amizade é mais viva que o esquecimento. A razão para esta evocação é a certeza de que “a memória alimenta a cultura de um povo, nutre a esperança e torna humano o ser humano”, como tão bem disse o grande pensador Eliezer Wiesel, Prémio Nobel da Paz de 1986.

Um cidadão apaixonado pela sua terra e suas tradições, um homem simples, humilde de trato fácil, um entusiasta por aquela que provavelmente será a mais antiga das formas literárias, a poesia, João Silvério Almeida Sousa “cultivou a nobre arte de versar com a rima intrometida”, assim escrevia em julho deste ano, Júlio Tavares Oliveira, sobre este poeta popular.

Como sabeis a literatura fundamenta o património cultural e artístico de um povo, na medida em que a literatura propaga a cultura e o património desse povo, qualificando-a num espaço temporal e físico. Esta propagação permite o entendimento da nossa história e essência, portanto, permite o conhecimento das raízes de um povo. Tornando-nos assim mais conscientes do mundo que nos rodeia e da sociedade em que estamos inseridos.

No exercício do cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz tive o privilégio de conviver e privar com o João Silvério. Aquando da sua colaboração e dos serviços prestados à Junta de Freguesia, foi notório o seu intelecto literário e a sua paixão pela poesia.

Assim, lancei o repto ao poeta para escrever sobre a sua Freguesia em forma de Versos. O culminar de todo um trabalho meritório, com muito empenho, dedicação e elevado intelecto, foi a publicação do livro intitulado “Elogios a Santa Cruz” O Berço da Lagoa, publicado no ano de 2011.

Em 2014 o poeta voltou a lançar um livro, desta feita como homenagem ao ex-Presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, e aos seus mais diretos colaboradores, descrevendo todo o percurso do autarca, durante os 28 anos que esteve ao serviço da “nossa freguesia”, enumerando todos os acontecimentos relevantes, que contribuíram para o progresso e desenvolvimento de Santa Cruz, nomeadamente a nível Patrimonial, Cultural, Social e Desportivo.

Para além destes trabalhos já publicados, o poeta tem muitos mais, dignos de registo, realçando a sua presença assídua no jornal Diário da Lagoa. Por isso, faço um apelo aos responsáveis autárquicos, no sentido de providenciar esforços para a preservação deste espólio de notável prestigio que enriquece o nosso Concelho e a Freguesia de Santa Cruz, no domínio da Cultura Popular.

Tudo isto é uma riqueza, que só é alcançada por alguém de intelecto literário superior, e por isso quero manifestar aos seus familiares: irmãs e às filhas, Odete, Natália e Dina, os meus sentimentos de pesar, com a certeza porém de que “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”, como escreveu o Poeta Maior, Fernando Pessoa.

Assim, tenhamos João Silvério Almeida Sousa como nosso amigo e companheiro perene, para quem estamos por chegar, logo mais, em uma dessas curvas da estrada da vida.

António Augusto Borges

Categorias: Cultura, Local

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*