Arte regional valorizada através da formação

As duas irmãs de Água de Pau, na Lagoa, Alexandra e Nélia Pacheco, dedicam-se ao artesanato regional e diversas formações, nessa área, desde os anos 90.

Nélia Pacheco, criou o atelier Artes e Ofícios Pacheco, situado na freguesia de Água de Pau, por forma a conciliar a sua paixão pela arte, a venda de materiais e transmitir o seu conhecimento, através de vários workshops.

Enquanto criança, observava as criações da sua madrinha e muito cedo, o gosto pelos ofícios do seus antepassados, nomeadamente o croché e tricô, tornaram-se num passatempo efetuados com grande paixão.

Nélia e Alexandra aprenderam a arte dos diferentes tipos de artesanato através de vários cursos, nomeadamente os Arraiolos, registo do Senhor Santo Cristo, presépios de lapinha e as artes decorativas.

Com o passar do tempo e aquisição das diversas técnicas, as duas irmãs apostaram na formação através de workshops, onde algumas entidades, nomeadamente, o Centro Regional de Apoio ao Artesanato, a Câmara Municipal de Lagoa, a Casa do Povo e Junta de Freguesia de Água de Pau, requisitam os serviços das duas formadoras.

“Nós somos um atelier que está vocacionado para qualquer tipo de artesanato, mas sempre que possível, vamos buscar aquilo que é regional”, referiu Alexandra Pacheco ao Jornal Diário da Lagoa, afirmando que a inovação na arte é importante, porém sem nunca esquecer o artesanato regional e típico açoriano.

Segundo Alexandra Pacheco, a arte também é uma questão de modas, sendo que, atualmente, é a bijutaria que está mais em voga. Desse modo, a formadora irá apostar, neste Natal, nessa vertente, porém, com uma base de artesanato regional, mais precisamente: flores de escamas de peixe e folha de milho.

“Não estou à espera que este produto seja vendável e sei que as pessoas vão pensar três vezes antes de comprar. Eu explico isso porque as pessoas não sabem o que é o artesanato, não sabem dar valor ao artesanato regional e ao artesanato em geral”, explicou Alexandra Pacheco, referindo que o comprador não consegue perceber a diferença entre os diversos trabalhos, feitos com bons acabamentos e matérias primas de qualidade.

Por outro lado, Alexandra Pacheco refere que, inicialmente, o Centro Regional de Apoio ao Artesanato, teve tendência para promover muitos artesãos, onde, verificava-se, nas exposições, trabalhos muito idênticos, fazendo com que o público se cansasse daquele artesanato, ficando saturado do mesmo.

“Eu acho que deveria de haver um maior controlo sobre a maneira de como são avaliadas as peças. Eu sei que isto está a mudar e, no que diz respeito ao artesanato regional, a certificação não está a ser tão facilitada como era há uns tempos atrás”, disse, referindo que já houve falta de rigor anteriormente.

Para a formadora lagoense, a arte, atualmente, é mais vivida como um hobby, um anti-stress, acreditando que as pessoas, muito rapidamente, querem ter um retorno financeiro de um passatempo, sendo a ilha, pequena, esse fenómeno acaba por desvalorizar o artesanato criado pelos profissionais da área.

“Eu acredito em inovação, mas não podemos inovar de modo a que o traço regional perca-se no produto final e é isto que está a acontecer”, lamentou.

Artes decorativas, Arraiolos, tricô, presépio de lapinha, escamas de peixe e registos do Senhor Santo Cristo, são algumas das diferentes artes e ofícios onde Nélia e Alexandra dão formação.

As duas irmãs estarão presentes no Mercadinho de Natal organizado pela autarquia lagoense, com produtos dedicados à época natalícia, nomeadamente: presépio de lapinha, presépio infanti, bolas decorativas para colocar na árvore de Natal, registos religiosos com materiais diferentes, utilizando retalhos e tecidos, escamas de peixe e folha de milho como artigo de bijutaria, principalmente nos brincos e colares.

“Atualmente, as pessoas não compram muito no Mercadinho de Natal, geralmente quem compra é para oferecer a alguém que aprecia o artesanato regional ou para quem faz coleções”, disse.

“Pensamos em levar peças para o Mercadinho de Natal, cuja sua realização, no futuro, poderá servir para formação. Para não acontecer como nos anos anteriores, a melhor saída será apostar mais na formação e não nos produtos acabados”, salientou Alexandra Pacheco, por forma a dinamizar a arte e ofícios através de formações e apostando menos na venda do artesanato.

Desse modo, durante o Mercadinho de Natal, Nélia Pacheco irá formar vários interessados, nomeadamente com um workshop sobre os presépios de lapinha em miniatura.

As artes e ofícios, apesar de serem uma verdadeira paixão para Nélia e Alexandra Pacheco, parecem estar condenadas, principalmente pela pouca procura do comprador, porém, a aposta na formação como laser e passatempo, aparenta ser uma vertente mais enquadrada com a procura e sociedade atual.

DL/AS

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