Restaurante “O Alambique” aposta na comida regional, transmontana e atendimento personalizado

O restaurante “O Alambique”, situado na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, destaca-se por oferecer aos seus clientes, duas ementas diferentes: a regional e a transmontana.

Bife à regional, morcela com ananás, chicharros fritos e alcatra à moda dos Açores, são alguns dos diversos pratos de comida regional servidos neste restaurante lagoense, sendo que, a comida transmontana passa pelo arroz de pato, bacalhau com broa, carne de porco à alentejana, feijoada e alheira de Mirandela.

Muitos são os clientes que frequentam “O Alambique” pela sua alcatra à moda dos Açores, nomeadamente, pelo mesmo ter vencido o prémio de “Melhor Alcatra dos Açores”, em setembro de 2016, em Lisboa.

“O Alambique” existe desde 1989 e neste momento, é um restaurante familiar gerido por Rui Borges desde 2007, tendo por cozinheira a sua mãe e outra funcionária. No ano de 2012, esta família, por questões de saúde, encerrou o restaurante, reabrindo em 2015. Desde então, na época de verão, sendo a afluência maior, o restaurante reforça a sua equipa com mais duas pessoas.

A aposta na comida transmontana, surgiu com a vinda de muitos trabalhadores continentais para a ilha, nomeadamente para a construção de várias obras, vias rápidas, pontes e escolas. Rui Borges reparou que o cliente continental apreciava a comida típica açoriana, porém, ao longo do tempo, já sentia saudades das tradições culinárias da sua terra, uma cozinha menos condimentada.

Apesar desses trabalhadores continentais já terem regressado às suas terras, “O Alambique” continua a apostar na cozinha transmontana, por forma, a dar a conhecer aos açorianos pratos típicos de outras regiões de Portugal.

Ser atencioso com o cliente, apostar na qualidade e no atendimento personalizado, mas principalmente, ter gosto pelo seu trabalho, são algumas qualidades apontadas por Rui Borges como essenciais para a restauração.

“Isto não é um negócio para ficar rico, isto é um modo de vida. Trabalhamos e estamos nisso porque gostamos. Se não gostasse, podia abrir uma loja de roupa ou um stand de carros e acredito que seria muito mais fácil do que isto. Estamos nesta área porque é uma coisa que nasce connosco”, afirmou o gerente deste restaurante ao Jornal Diário da Lagoa.

No mundo da restauração desde os seus 17 anos, Rui Borges, recorda saudosamente o falecido empresário, Norberto Ponte, relembrando as suas primeiras experiências nessa área, nomeadamente nas diversas feiras gastronómicas e festas do Senhor Santo Cristo, onde trabalharam juntos.

“Aprendi muito com ele, foi um dos meus principais professores e foi ele, quem me deu este gostinho pela restauração e a partir daí a vida vai-se encarregando de fazer o nosso caminho”, recordou o empresário, referindo que a restauração não é uma vida fácil.

Em 2015, “O Alambique” reabre, principalmente a pedido de muitos clientes, referindo que sentiam falta desse restaurante na Lagoa. Para Rui Borges, foi um recomeço, onde a renovação do espaço e angariação de novos clientes foi essencial, conseguindo, com o tempo, “fazer a casa de novo”.

“Umas das grandes vantagens foi o nosso nome. As pessoas já nos conheciam desde 2007 e sabiam que nós trabalhamos com qualidade e com gosto”, explicou.

Rui Borges acredita que o turista que chega aos Açores procura uma combinação de vários fatores: natureza, comida regional, peixe fresco, simplicidade na confeção e um bom bife.

Outro fator diferencial do restaurante “O Alambique” é o “atendimento personalizado”, explicado pelo gerente como uma marca de confiança do cliente, onde o mesmo, geralmente, nem abre a ementa, pede diretamente conselhos sobre os pratos, nomeadamente de onde vem o produto e como é confecionado.

Neste momento, o cliente típico deste restaurante é de uma grande variedade, desde o vizinho do lado, lagoense, ao turista mais longínquo. No entanto, Rui Borges afirma que os lagoenses ainda passam por grandes dificuldades económicas e não têm uma situação financeira que permita ter um consumo frequente na restauração.

“A Lagoa está um pouco deslocada em relação a Ponta Delgada”, defendendo que a cidade necessita de investimentos, monumentos, mais unidades hoteleiras e meios de transportes com autocarros que façam a ligação direta entre o centro de Ponta Delgada e Lagoa, por forma a que o turista possa frequentar os restaurantes, piscinas e museus lagoenses.

“A cidade de Lagoa tem muito pouco a oferecer a nível de roteiro turístico e o pouco que tem a oferecer está muito escondido e deslocado. Existem vários museus na cidade e estão todos eles deslocados, enquanto que deveriam estar centralizados”, referiu.

Por outro lado, o empresário acredita que a restauração lagoense encontra-se em condições para receber mais turistas, salientando, no entanto, as dificuldades em contratar pessoas com formação na área da restauração e turismo.

Rui Borges tem em mente alguns projetos futuros, passando, muito provavelmente, pela abertura de um restaurante na cidade de Ponta Delgada.

Nesta época natalícia, “O Alambique” irá apostar em pacotes apelativos, com preços especiais e boa qualidade, nomeadamente para a organização dos jantares de Natal das diferentes empresas.

DL/AS

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