Geração de homens e mulheres de Água de Pau

[01] – Manuel Francisco Carreiro Couto — Manuel Estopa [1955 ]

— Inicio aqui uma rubrica sobre a história, testemunhos ou comentários sobre pessoas da geração de 1953 – 1956, que nasceram na Vila de Água de Pau, concelho de Lagoa e que vivam na sua terra ou em outro país para onde emigraram ou escolheram para viver ou estabelecer-se também.

O Manuel já fez muita coisa na vida, entre muitas actividades que lhe conheci, recordo – me bem, de quando foi vendedor de peixe pelas portas, jardineiro por conta própria ou ao serviço da Câmara Municipal da Lagoa, onde hoje é funcionário profissional de jardinagem e de podas de árvores que ornamentam e dão sombra nos jardins e estradas municipais do concelho.

Ele tem potencial para poder desenvolver muitas actividades. Se quisesse podia ser cabreiro, lavrador, pescador, agricultor ou até poderia ser modelador-de-árvores em jardins ou parques se lhe solicitassem essa actividade. De resto, com um simples podão afiado (por ele) faz em qualquer pinheiro ou cipreste, em crescimento, diversas figuras de animais ou objectos de decoração para embelezar um jardim. Já o fez no meu jardim.

Com todas estas características e potencialidades que deslumbro no Manuel, que conheço desde criança, pois somos da mesma idade e crescemos na mesma terra e vizinhos de rua, NÃO OBSTANTE, PORÉM, TODAVIA, CONTUDO, AINDA ASSIM …há um hábito que o Manuel nunca trocou – por nada – Foi o seu meio de transporte. Ele continua fiel à sua «CARRINHA» de três rodas ou MOTO-CARRINHA, como lhe quiserem chamar.

Já trocou de carrinha, mas nunca com mais de três rodas! Já teve uma daquelas mais pequenas. Podia ter trocado por uma furgoneta, quando o negócio de venda pela porta o justificava, mas nunca quis dar esse salto. O hábito amarrou-o à tradição e continua fiel à sua carrinha de três rodas!

Sempre gostei do Manuel, tem sempre uma conversa animada e engraçada para um amigo e quem o não entende gosta de caçoar com ele, tentando diminuí-lo julgando que o atinge, mas não conseguem. Quando muito, fazem-no ficar calado mais um pouco até aparecer quem goste dele e lhe der oportunidade de recomeçar a última conversa ou história interrompida. Se lhe fizerem a perna até pode entrar em desgarrada e a festa é garantida por várias horas, acompanhada por uma boa «cabritada» à sua moda. Sabe um pouco de tudo e até de “cozinhados à moda antiga”….como ele gosta de dizer.

Honesto e certíssimo nas suas contas, herdou isso de seu pai Manuel Estopa. Artista de várias artes deve ter herdado isso de sua avó Hortênsia Estopa, exímia a preparar a «estopa» para executar os capachos e outros artefactos em «linho-de-russo», para mais tarde serem vendidos ao domingo na Praça «onde-se-ganhava-o-dinheiro» ou para encomendas vindas de senhores da Caloura ou da cidade.

O Manuel Francisco Carreiro Couto ou Manuel Estopa, como melhor é conhecido, para os seus melhores amigos e não para os que dele caçoam, é fiel e reconhecido e, presta para sempre a sua lealdade para o resto da vida, como sempre fez comigo, por exemplo.

São hábitos que o Manuel não troca. São hábitos da nossa geração de «55» como ele diz também! Ninguém troca os hábitos do Manuel Estopa…nem lhe trocam a «CARRINHA» senão já não era o mesmo Manuel Estopa!

Por: RoberTo MedeirOs

Categorias: Local, Voz do Passado

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