“É hora da Europa mudar o paradigma”

Ricardo Serrão Santos organizou no Parlamento Europeu, em parceria com a IUCN e o Principado do Mónaco, a conferência-debate “Marine Plastics Need European Action”. Uma iniciativa que surge numa altura em que a Comissão Europeia prepara a “Estratégia sobre Plásticos”, cuja apresentação está prevista para o final deste ano.

Segundo uma nota enviada à nossa redação, no evento, participaram o Comissário Europeu Karmenu Vella, Pierre-Yves Cousteau, activista em defesa dos Oceanos, filho e continuador de Jacques Cousteau, Luc Bas da IUCN e dezenas de cientistas em representação de instituições de investigação e ONGs.

Na sua intervenção, Serrão Santos afirmou que “a economia circular e a estratégia europeia sobre plásticos são abordagens importantes. É, por isso, hora de abrir os olhos e mudar o paradigma”. O eurodeputado referiu que “a nível mundial, produzimos cerca de 300 milhões de toneladas de plásticos e fibras sintéticas por ano”, relembrou ainda que estudos recentes “demonstraram que as redes de arrasto de plancton voltam com uma massa glutinosa de microplasticos. Aparentemente, em algumas áreas, o plástico supera o zooplancton – a base de alimentos do oceano”.

Serrão Santos chamou ainda a atenção para um erro político cometido aquando da revisão da directiva relativa às embalagens e ao embalamento de 1994/2008. Naquela altura, o relator inseriu um parágrafo no texto que impedia os Estados membros de contar como “reciclados” quaisquer resíduos enviados da Europa para entidades de reciclagem que não estivessem no mesmo nível de qualidade que os europeus, como acontecia com a China e outros Estados do extremo oriente. Este parágrafo foi retirado do texto final no último minuto. Em resultado disso, e porque havia uma maneira fácil de exportar, a Europa não investiu convenientemente na criação de infra-estruturas de recolha e reciclagem. “Agora, que a China passou de importador a exportador, deste tipo de resíduos, pode ser que a Europa encontre a coragem política suficiente e a vontade industrial para uma verdadeira mudança disruptiva”, afirmou o eurodeputado.

Numa intervenção no debate, que se desenrolou após as intervenções iniciais, o eurodeputado fez uma referência ao trabalho desenvolvido pelo IMAR nos Açores, através do projeto LIXAZ, financiado pelo IUCN desde 2016, que tem como objectivo criar uma base de dados de referência para o futuro que permita monitorizar o lixo marinho e os seus impactos. Aquele projeto é de grande interesse devido à posição geográfica da região e às suas vulnerabilidade, uma vez que os Açores ficam muito próximos da maior zona de acumulação de lixo marinho no Atlântico.

DL/GDPE

Categorias: Política

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