“Ex-Voto” na Academia das Artes

A instalação artística “Ex-Voto – à memória de dr. Guilherme Pinto” de Ricardo Barros foi inaugurada na última sexta-feira, dia 27 de outubro, na Academia das Artes dos Açores, com o apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada, estará patente ao público até ao dia 24 de novembro, de segunda a sexta-feira, entre as 13h00 e 18h00, e aos sábados, das 14h00 às 18h00.

Segundo uma nota enviada à nossa redação, na sessão de abertura desta instalação, o Presidente da Câmara de Ponta Delgada, José Manuel Boleiro, elogiou o trabalho do autor e a explanação do mesmo, que permitiu a todos os presentes ficar a saber, ao pormenor, o trabalho de Ricardo Barros, agora patente na Academia das Artes. Um espaço com história, situado no “coração de Ponta Delgada, o que muito nos honra”, considerando a Academia das Artes como adequada à presente Instalação do artista.

José Manuel Bolieiro manifestou, uma vez mais, a disponibilidade da Câmara de Ponta Delgada em dar a conhecer talentos locais e não só, porque “a nossa aposta na cultura vai continuar no mandato que agora iniciamos, em todas as áreas, que em espaços municipais, quer noutros espaços da cidade e do concelho”.

Ricardo Barros, considera a Instalação como inacabada. A mesma é composta por vários painéis: “um ex-voto de grande escala, oferecido ao Ecce Homo, uma cruz iluminada, integrando imagens simbólicas das fases do naufrágio, bem como dos rostos e preces dos pescadores, sublevando-os à condição de heróis do mar; um memorial constituído pelos rostos dos pescadores e respetivos testemunhos; um enigmático obelisco de grandes dimensões (um memento mori?); o Estrela-do-mar miniaturizado à escala de uma chalandra; e um ex-voto do século XVIII”.

Com a Instalação, agora patente na Academia das Artes dos Açores, Ricardo Barros devolveu “à contemporaneidade a prática ancestral do ex-voto, imprimindo-lhe um cunho de erudição, cruzando as devoções da sua terra de acolhimento e da sua terra natal, ao Senhor Santo Cristo dos Milagres e ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos”, refere Paula Cabral, no texto do catálogo.

Adianta, mesmo, que “a obra apresentada narra a odisseia do Estrela-do-mar, uma embarcação de pesca, cujos tripulantes, vendo-se na iminência da morte por naufrágio, encomendam-se à proteção do Ecce Homo, esperando um milagre. Inspirado no livro das preces ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, sustentado ainda pelos pungentes registos impressionistas de Raul Brandão n’ Os Pescadores, e tendo por base os rostos de pescadores oriundos de Rabo de Peixe e da Lagoa, o artista compôs uma obra que vai muito para além de uma homenagem aos homens do mar”.

DL/CMPD

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