Mariano Furtado Mendonça: Deus, a disciplina e a música

Nesta edição do jornal Diário da Lagoa, vamos dar espaço à homenagem, novamente. E desta vez a homenagem incidirá sobre o padre Mariano Furtado Mendonça, o sacerdote que, durante muitos anos, e pelo seu carácter, inspirou-nos a sermos melhores connosco mesmos e com Deus.

Mariano Furtado Mendonça nasceu a 17 de fevereiro de 1916, na freguesia de Santa Cruz, sendo filho de Victorino Furtado, natural do Pico da Pedra, e de Maria da Estrela Borges, natural de Santa Cruz.

Era neto paterno de Marianno Furtado Mendonça e de Guilhermina da Encarnação, tendo como avós maternos António Borges de Medeiros e Maria do Carmo.

Foi baptizado a 20 de fevereiro de 1916, frequentando o Seminário de Angra do Heroísmo. Depois de ordenado a 21 de agosto de 1938, foi nomeado coadjutor da Igreja Matriz da Horta, onde permaneceu dois anos. Em 1941 foi colocado na freguesia de São Pedro, em Angra do Heroísmo, tendo permanecido aí até novembro de 1946.

Em dezembro de 1946 deu início à actividade sacerdotal na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde deixou marca indelével e onde tocou o coração de tanta gente, de tantos fregueses, de tantos lagoenses que conviveram com ele ou que o ouviram.

Nutrindo uma paixão inata pela música, em torno da qual ficou também conhecido – tendo sido, com um alegado gosto profundo, professor de música no Liceu Nacional de Ponta Delgada -, a sua veia pedagógica alargou-se, inclusive, também à Escola do Magistério Primário, onde foi igualmente professor de alunos e alunas que o recordam certamente como alguém profundamente moral, conservador e de extrema intelectualidade. O padre Mariano era um homem de disciplina e de carácter.

Reconhecidamente implacável, nutria uma grande fidelidade a Deus, à música e aos seus princípios cristãos.

Além disso, era um homem do conhecimento. Denote-se, por isso, uma oportuna passagem pela Academia Musical de Ponta Delgada, onde assistiu, com interesse, a aulas de História da Música e Composição, e também por Lisboa, em 1970, onde frequentou um curso intensivo de Educação Musical para o Ensino Secundário. Ambos contribuíram certamente para a sua já posterior autoria de diversas composições sacras para a então Capela de Nossa Senhora do Rosário, acrescentando-se, a esta profunda vontade de conhecer, um espírito determinado, capaz de se instruir e de se elevar a voos que, para o tempo, seriam de extrema exclusividade.

Leccionando, em tempos, Português na Escola Preparatória do Convento dos Frades, foi, também, e na freguesia do Rosário, a mente trabalhadora e visionária que fez nascer a grande obra de conservação e remodelação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, deixando obra feita.

Faleceu no dia 1 de Setembro de 1976, nos Estados Unidos, onde tinha ido procurar cura para a sua doença de foro oncológico.

JTO
(Artigo publicado na edição impressa de novembro de 2017)

Categorias: Cultura, Os de cá

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