Voz do Passado – A imprensa lagoense antiga | 12

“O JULGADO MUNICIPAL” – fundado em 1899

“O JULGADO MUNICIPAL” [nº 1/Ano 1] de 19 d’Agosto de 1899, aparece ao público como uma folha semanal, cujo editor, redactor, proprietário e administrador foi Egídio da Costa. Tinha redação e administração na rua do Rosário, actual rua Dr. José Pereira Botelho. Era impresso na tipografia do «Comércio Michaelense» na rua Ernesto do Canto, nº15.

Dá ao prelo na sua primeira edição com um editorial que expressa o motivo do seu aparecimento numa opinião de Egídio da Costa que sente vontade de informar melhor o povo lagoense sobre o desprezo a que o concelho estava votado:

VILLA DA LAGOA

EXPEDIENTE

Tendo suspendido há pouco mais de três anos a publicação d’um jornal intitulado – O Bom Conselheiro, esperávamos que alguém nos substituísse n’esta mui humilde, mas respeitável tarefa.

O nosso concelho, o mais vizinho do distrito, que tem sido desprezado, abandonado e até desconsiderado, ninguém se atreve a defendê-lo perante aqueles que em ocasiões de necessidade, os obriga apertar nos a mão para mais tarde recebermos em recompensa a ingratidão.

Fala-se e censura-se tais procedimentos, mas é preciso que eles se tornem públicos e com especialidade perante o povo lagoense.

Eis as razões porque tornamos a fundar um novo jornal em que faremos o mais possível tornar público o que se for passando no nosso concelho, seguindo em tudo mais um programa justo e zeloso e louvar os actos praticados com rectidão e censurar aqueles que o não forem.

A Redacção

N o t i c i á r i o

A camara municipal deste concelho vai dar o nome à rua nova que ultimamente abriu da rua de S. Sebastião à da Caloura da villa, da rua do Conselheiro Luiz Poças Falcão e à rua do Rosário, rua do Dr. José Pereira botelho.

Estranhamos bastante este modo de pensar, por quanto já na matriz predial, como iniciativa dos lagoenses, figurava a rua nova que se abriu com o título de rua do Dr. José Pereira Botelho.

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Está funcionando nesta villa desde o dia 20 de julho último o julgado municipal novamente criado.

Oxalá que corra tudo a seu tempo e com a devida rectidão, afim de que o povo reconheça a vantagem da justiça ao pé da porta.

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Regressou de Manaus, Brasil, onde a fortuna o bafejou, o nosso amigo António Pacheco d’Agostinho, d’Água de Pau, a quem temos o prazer de cumprimentar.

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O senhor Nava saiu no «D. Maria» para Lisboa, a contratar artistas para trabalharem no seu circo da rua Formosa.  

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O retratista sr. Corrêa de Mendonça, estabelecido no largo da Matriz, revelou-se-nos um perfeito artista, tanto que é hoje o photographo mais procurado na cidade. Os seus trabalhos são nitidíssimos.

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Ninguém tire o retrato !

Aconselhamos a todas as pessoas que não tirem o retrato senão na photographia Mendonça, onde se trabalha com muita nitidez, retocando-se bem e dando-se às fotografias um brilho e um tom muito agradáveis, de forma que até as pessoas feias parecem bonitas sem que lhe seja alterado a feição.

Há máquinas instantâneas para crianças e fazem-se ampliações imitando crayon em todos os tamanhos podendo até fazer-se um retrato em pé de tamanho natural.

Os trabalhos não mareiam, porque as drogas empregadas são de primeira qualidade e as lentes são do melhor óptico até hoje conhecido.

Por: RoberTo MedeirOs
(Artigo publicado na edição impressa de novembro de 2017)

Categorias: Opinião, Voz do Passado

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