Espaço saúde: Tuberculose Pulmonar

Durante muitos anos a tuberculose foi uma das principais causas de morte em todo mundo. No século XIX e no início do século XX, esta doença causou muitas mortes principalmente nas classes mais pobres. Em 1815 na Inglaterra, uma entre quatro mortes eram devido à tísica pulmonar, outro nome pelo qual é conhecida a doença. Por volta de 1880 descobriu-se que a doença era contagiosa o que a tornou uma doença de notificação obrigatória. Em 1918, uma em cada seis mortes na França ainda era causada pela Tuberculose!

Em Portugal a tuberculose foi também responsável por um grande número de mortos. Graças á melhoria das condições de saúde pública, á vacinação contra a tuberculose, ao cumprimento dos critérios recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para o controlo da tuberculose, como por exemplo, a implementação de um sistema de vigilância eficaz, hoje Portugal é um país considerado, pelas entidades competentes, de baixa incidência desta doença.

A tuberculose pulmonar é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. É transmitida através do ar, por meio de gotículas expelidas por uma pessoa infetada quando tosse ou espirra, ou seja, transmite-se de pessoa a pessoa por via aérea, por este motivo apenas são contagiosas as pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngea. Estas gotículas podem ficar em suspensão no ar ambiente durante várias horas, se a sua disseminação ocorrer em locais não ventilados e sem luz solar. O risco de se ser infetado com o bacilo de Koch depende da quantidade de gotículas infeciosas no ar, do tempo e local de exposição e das condições de saúde, que conferem maior ou menor suscetibilidade á infeção da pessoa exposta a este ambiente. Consideram-se fatores de risco para o desenvolvimento de tuberculose a desnutrição; idade avançada; alcoolismo; tabagismo e uso de drogas ilícitas; infeção por HIV, diabetes; quimioterapia; insuficiência renal crónica; viver ou viajar para países pouco desenvolvidos.

A inacessibilidade aos cuidados básicos quer de serviços de saúde, quer a outros relacionados com o saneamento, é um fator que pode influenciar muito o aumento do risco de tuberculose.

Após respirar o ar contaminado, as microbactérias inaladas instalam-se nos pulmões. Algumas semanas depois surge uma inflamação devido ao primeiro contato da bactéria com o organismo, a primo-infeção. Depois disso, o bacilo pode espalhar-se e desenvolver-se em qualquer órgão do corpo, como por exemplo ossos e intestinos. O organismo também pode eliminar os bacilos evitando assim a doença ou mantê-lo inativo durante anos ou mesmo durante toda a vida. Quando o bacilo fica inativo no organismo designa-se de tuberculose latente, as pessoas nesta situação são pessoas saudáveis e não contagiantes, no entanto têm maior probabilidade de desenvolver tuberculose se ocorrerem alterações nas suas condições de saúde.

Uma vez instalada a tuberculose pulmonar manifesta-se por cansaço, falta de apetite, emagrecimento, suores noturnos e febres baixas (37,5ºC) que aparecem ao final do dia, tosse intensa e prolongada por três ou mais semanas podendo ser acompanhada de sangue (hemoptise) e dor no peito.

O diagnóstico médico baseia-se no exame físico do doente, historia clinica, fatores de risco e exames complementares de diagnóstico como a prova de tuberculina ou de Mantoux, análises ao sangue, radiografias e exame ao escarro.

O tratamento para tuberculose pulmonar é feito, principalmente, através da administração de antibióticos á semelhança do que acontece com outras infeções bacterianas. Na tuberculose em particular, o tratamento é mais difícil e costuma demorar mais tempo relativamente a outras infeções causadas por bactérias.

A terapêutica e a duração do tratamento variam em função da idade, das condições de saúde do doente e da forma de tuberculose em tratamento, latente ou ativa.

O tratamento é realizado sem internamento, este só se justifica quando há risco de contágio ou de incumprimento do regime terapêutico prescrito, situações estas muitas vezes relacionadas com fatores sociais e/ou psicológicos do doente.

A cura e/ou a prevenção de complicações é possível na maioria dos casos desde que seja cumprido, rigorosamente, o tratamento. O não cumprimento rigoroso da medicação leva ao desenvolvimento de resistências.

As medidas preventivas no controlo e eliminação da tuberculose pulmonar são fundamentais e passam pelo diagnóstico e tratamento precoces das pessoas infetadas, terapêutica sob vigilância, rastreio dos contatos do doente, rastreio ativo dos grupos de risco, a quimioprofilaxia e outras medidas de controlo associadas aos cuidados de saúde. Segundo a OMS e a UNICEF a vacinação contra a tuberculose é recomendada nos países com baixa incidência e que cumpram os critérios de controlo da doença, como é o caso do nosso país, apenas quando há critérios para o efeito.

Para além da adoção de estilos de vida saudáveis recomendo que a população se informe na sua unidade de saúde sobre a vacinação contra a tuberculose e que recorra à consulta do viajante.

Apesar da baixa incidência de tuberculose no nosso país a doença existe!

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de novembro de 2017

Categorias: Espaço saúde, Local

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*