Comissão Especializada do Turismo perspetiva uma evolução positiva do sector

A Comissão Especializada do Turismo (CET) da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, em reunião, no dia 26 de setembro, procedeu à análise da situação do sector em S. Miguel, nomeadamente das perspectivas para 2018 e desafios que se colocam.

Segundo uma nota enviada à nossa redação, a Comissão congratulou-se com a evolução global que o turismo tem vindo a conhecer em S. Miguel, face aos crescimentos significativos que se têm registado na generalidade das atividades ligadas ao sector e à capacidade de resposta que as empresas têm demonstrado.

Contribuiu, em muito, para o crescimento do setor, a forma adequada como as diferentes transportadoras aéreas, que operam entre a Região e o continente português e também com o resto da Europa, responderam à procura, ultrapassando-se o que era um problema estruturante do desenvolvimento do turismo. A mesma situação já não se verificou totalmente nas ligações com o mercado norte-americano, tendo-se registado alguns problemas na operação da SATA.

A CET identificou novamente a falta de apoios à formação, como um factor crítico para a melhoria da oferta e que está a ter impactos negativos em especial na atividade da restauração e também na hotelaria, sendo que, a dificuldade no recrutamento de novos profissionais constitui um problema, que é necessário resolver.

Têm-se mantido inalterados aspectos, apesar de diversos alertas e que estão a contribuir para não dar a imagem positiva que seria desejada de S. Miguel, devido à continuação da falta de infraestruturas adequadas nos principais pontos turísticos da ilha.
Foi ainda verificada a continuação da existência de agentes económicos em diversas áreas, que atuam em situação de ilegalidade, sem as diversas autorizações para o exercício da sua actividade, com os inerentes reflexos no mercado e na imagem do turismo.

A Comissão perspectivou a continuação de uma evolução positiva do sector do turismo, em 2018.

A questão das acessibilidades continua a ser um aspeto determinante na forma como o sector se irá desenvolver.
Foi perspectivado que, a nível do transporte aéreo entre Ponta Delgada e o continente português e o resto da Europa, a situação não sofrerá alterações significativas, mantendo-se uma oferta estável e adequada à capacidade de alojamento instalada.
No que se refere às ligações interilhas, a Comissão manifesta preocupação face à capacidade da SATA Air Açores em dar resposta a um incremento da procura. Seria, por conseguinte, importante que a empresa esteja preparada se tal situação ocorrer.
A grande alteração vai acontecer nas ligações com o mercado norte-americano, designadamente o dos EUA, com a operação da Delta AirLines, com que a Comissão se congratula, uma vez que vem introduzir um novo paradigma alterando profundamente a abordagem que tem sido feita àquele mercado, que a Comissão sempre defendeu como especialmente prioritário. Está-se perante uma revolução a este nível.
Relembra-se que esta Comissão, em comunicado de 18 de maio de 2017, para além de ter feito uma análise à evolução do mercado norte-americano, defendeu que o seu potencial exigia “que se construam mais alternativas de transporte para aquele continente”. Esta operação vem, por conseguinte, ao encontro do que esta Comissão vinha defendendo.
A Comissão não perspectivou o aumento significativo da capacidade de alojamento na hotelaria tradicional.

O sector enfrenta um conjunto de desafios, alguns novos, infelizmente outros que se mantêm ao longo dos anos sem solução.
A melhoria da qualificação dos recursos humanos que já trabalham no sector e a formação de novos profissionais, nomeadamente através da libertação de “ocupacionais em entidades públicas” é o principal desafio do sector. Este é o desiderato para o sucesso do turismo, em qualquer sítio.
A Comissão defende novamente a urgência de disponibilização de meios financeiros adequados para alcançar este objectivo, que permitam uma intervenção imediata, que deverá ocorrer já na época baixa que se aproxima, com especial incidência nas áreas da cozinha e mesa/bar. Não é possível continuar a adiar uma solução para este problema, que condiciona o sector e a qualidade do serviço.
Uma outra área que a Comissão considera prioritária, em termos de intervenção pública, como referido na análise do sector, relaciona-se com a urgência na qualificação de infraestruturas de apoio ao turismo. Não é desejável continuar a verificar na próxima época alta a continuação de imagens, como as que se vêem em diversos miradoiros, zonas balneares e outros locais de forte concentração turística (por exemplo, Lagoa do Fogo, Caldeira Velha, Sete Cidades e Ferraria). São situações deploráveis que carecem de soluções céleres.
A operação da Delta AirLines coloca ainda uma maior premência na resolução dos problemas atrás referidos. A região terá um número significativo de norte-americanos a visitarem os Açores, com um perfil específico a que o sector tem dar resposta adequada, com uma melhoria da oferta a todos os níveis.
No que se refere ao alojamento local o desafio passa por uma oferta mais diversificada e de maior qualidade e diferenciação, assente na recuperação do edificado, que obedeça nomeadamente a regras de segurança eficazes. Apenas estas situações devem ser abrangidas por apoios públicos.

DL/CCIPD

Categorias: Regional

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