António Manuel da Costa Varão: o empregado de comércio que chegou a deputado regional

O artigo deste mês foca-se, desta feita, na figura ilustre de António Manuel da Costa Varão.

Natural de Nossa Senhora do Rosário, onde nasceu a 30 de janeiro de 1943, António Varão, filho de Francisco de Medeiros Varão e de Ilda do Espírito Santo, foi um cidadão no sentido mais amplo da palavra, um devoto dedicado à causa pública, à defesa intransigente dos interesses do povo da sua terra e um dedicado dinamizador cultural.

Marido de Rosa de Jesus Bernardo Laranja e pai de 3 filhos, o mesmo foi presidente da junta da sua terra, Nossa Senhora do Rosário, pelo seu partido – o Partido Social Democrata – de 1983 a 1985 e novamente de 1986 a 1989. Mas não se ficou por aí: andou também à frente dos destinos da Sociedade Filarmónica Lira do Rosário durante 32 anos. Chegou lá, assumindo, primeiramente, a função de tesoureiro para, mais tarde, numa altura absolutamente crítica e de sobrevivência para a dita banda filarmónica, assumir as funções de presidente.

Grande impulsionador da Filarmónica Lira do Rosário, participou, igualmente, com a seriedade, o afinco e a dedicação com que assumia as suas responsabilidades e o amor à terra, na organização das festas em honra de Nossa Senhora do Rosário.

Mas a história de mérito e de sucesso não acaba aqui: com a 4º classe, aquele que, um dia, trabalhou no Domingos Dias Machado como empregado de comércio, chega, para surpresa de muitos que duvidariam de tal proeza para um lagoense com a 4º classe apenas, a deputado regional pelo Partido Social Democrata na IV legislatura – de 1988 a 1992 -, eleito pelo círculo eleitoral de São Miguel.

Trabalhou, como deputado, na Comissão de Assuntos Sociais e na Comissão de Juventude e Formação, defendendo ao longo da legislatura os interesses do concelho de Lagoa e promovendo e defendendo os interesses de uma outra grande paixão sua: as bandas filarmónicas.

Aquando dos 417 anos da freguesia do Rosário, foi homenageado com a Medalha de Mérito. Foi também, na sequência da sua morte a 7 de julho de 2015, votado e aprovado, a 28 de outubro de 2015, por unanimidade, um voto de pesar na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Por ter dedicado toda a sua vida à sua terra por intermédio do cumprimento dos seus deveres cívicos e por se ter envolvido, com coragem, na vida cultural e política local e regional, o homem popular, amigo de todos, e que não discutia política em casa com a família, merece esta homenagem do Diário da Lagoa.
Do antigo deputado regional lagoense podemos retirar três grandes lições para a vida: o mérito e as qualidades humanas nem sempre são proporcionais à qualificação profissional de cada um; todos devemos dar mais de nós à nossa terra, como fez a figura aqui homenageada, e, por fim, fica, com toda a certeza, um legado que nos obriga a sermos mais e melhores todos os dias, embora a vida nem sempre nos dê todas as ferramentas para tal. Viver obriga a isso: a que estejamos vivos!

Que descanse em paz!

JTO
(Artigo publicado na edição impressa de outubroo de 2017)

Categorias: Cultura, Os de cá

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