Número de doentes com Alzheimer desconhecido na Região Autónoma dos Açores

O cineteatro da Lagoa recebeu, no âmbito da celebração do Dia Nacional da Doença de Alzheimer, que hoje se assinala, um seminário de sensibilização através da divulgação.

Sensibilizar e informar a comunidade acerca da doença de Alzheimer, é o que pretende a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM), em parceria com o Gabinete de Psicologia e Intervenção Comunitária da Junta de Freguesia do Livramento.

A doença de Alzheimer é uma problemática com grande incidência a nível mundial, sendo que mundialmente conta com 40 milhões de doentes e a nível nacional 160 mil pessoas sofrem com a doença.

Para Fernanda Prates, presidente do Conselho de Administração da USISM, é necessário arranjar estratégias e ajudas para o doente e para o cuidador, seja ele um cuidador formal ou informal, mas principalmente, encontrar uma cura para este “flagelo mundial”.

A doença de Alzheimer é uma doença que, ainda, não tem cura, tem muitos custos e é difícil de se diagnosticar, sendo o papel dos psicólogos fundamental na prevenção, avaliação e deteção dos sinais da doença.

“Podemos fazer alguma coisa para prevenir, mas não sabemos ainda se podemos fugir dela. É nosso dever contribuir para o conhecimento desta doença”, referiu a presidente da Direção Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Maria da Luz Melo.

O cineteatro lagoense ficou lotado para receber este seminário, destinado, principalmente, aos profissionais de saúde e área social, estudantes da área da saúde, cuidadores formais e informais e comunidade em geral.

Presente nesta comemoração, esteve o Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, que considerou que este seminário permite combater as barreiras do preconceito sobre esta doença, referindo ser fundamental sensibilizar, divulgar e falar sobre a Alzheimer.

Com o aumento da média de esperança de vida, as doenças de demência têm-se desenvolvido e todas as ações que devolvam humanidade e entusiasmo aos doentes, são cruciais para o bem estar da população.

Atualmente, a doença de Alzheimer é a demência mais comum em Portugal, na ordem dos 50 a 70% das doenças de demência identificadas. Na Região Autónoma dos Açores, não existem dados concretos relativamente a esta doença. Desse modo, o Secretário Regional da Saúde, lançou um desafio aos alunos, docentes e investigadores da Universidade dos Açores e a Ordem dos Psicólogos, por forma, em conjunto, a desenvolverem estudos para aprofundarem o conhecimento, num diagnostico social, sobre esta doença na região.

Para além do doente e do seu sofrimento, o acompanhamento por parte de um cuidador, muitas vezes informal, é essencial, sendo necessário receberem formação, informação e apoio.

Formar cuidadores com a máxima eficácia, reduzindo o cansaço físico e psicológico dos mesmos, é o objetivo do Governo Regional, tendo-se comprometido, até ao final deste ano, a apresentar o Estatuto de Apoio ao Cuidador Informal, que está a ser elaborado pela Direção Regional da Solidariedade Social.

“Vamos cuidar de quem cuida. Encontrar soluções e caminhos para lidar com este problema da sociedade moderna”, salientou Rui Luís.

Em 2006, foi criada a Associação Alzheimer Açores, ALZA, que se tem esforçado no sentido de desenvolver todos os cuidados, nomeadamente, neurológicos e psicológicos, dos doentes e formação para as famílias e cuidadores.

Esta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), disponibiliza serviços de apoio aos doentes e seus cuidadores, mas também desenvolve ações de sensibilização junto da comunidade.

No dia 5 de setembro, na Unidade de Saúde de Lagoa, foi realizado um rastreio, que teve como objetivo a avaliação cognitiva dos utentes desta unidade, onde 63 pessoas participaram de forma voluntária.

Este foi o primeiro rasteio cognitivo realizado na Região Autónoma dos Açores e serviu para a recolha de dados, de forma a serem analisados e apresentados durante o seminário realizado na Lagoa.

Das 63 pessoas que participaram neste rastreio, 19 utentes apresentavam alterações graves que tiveram que ser reportadas aos médicos assistentes.

Nesta pequena analise, foi possível concluir que uma doença mental, nomeadamente depressão, ansiedade, está relacionada com uma pior performance do desempenho cognitivo, ou seja, das capacidades que nos fazem ser quem nós somos.

Este primeiro rastreio cognitivo, poderá ser um ponto de partida para um estudo mais alargado ao nível regional, tendo em conta a não existência de números relativamente aos doentes de Alzheimer e dos seus cuidadores, formais ou informais, na Região.

DL/AS

Categorias: Local, Saude

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