Banda Filarmónica Fraternidade Rural de Água de Pau defende a cultura e tradições pauenses

A Banda Filarmónica Fraternidade Rural de Água de Pau, descolou-se, no passado mês de julho, até aos Estados Unidos da América, a convite de um grupo de emigrantes naturais desta freguesia do concelho de Lagoa.

Durante oito dias de digressão, a banda filarmónica pauense atuou duas vezes, uma em Fall River e outra em New Bedford e participou numa procissão, sendo que 44 elementos da mesma, puderam conhecer um país com uma cultura muito diferente das tradições dos Açores.

Segundo o tesoureiro da filarmónica, José Carlos Pereira, estes intercâmbios são muito importantes e a receção dos emigrantes foi “espetacular”, adiantando que “não há palavras para agradecer a maneira como nos recebemos”.

O músico diz que desde que entrou para a banda, logo nasceu uma paixão tão forte que, na altura, deixou o mundo do futebol para se dedicar à música, há mais de 37 anos. “Não há palavras, isso nasce com a gente. A gente quando toma gosto aprende tudo e mais alguma coisa e tem sempre vontade de continuar”, disse ao Jornal Diário da Lagoa, recordando que desde os 18 anos tomou o gosto por esta banda.

De forma a poderem participar nesta viagem, a Banda Filarmónica de Água de Pau recebeu um apoio financeiro da autarquia lagoense, assim como contou com fundos da própria. Algum do dinheiro foi mesmo angariado com a venda de rifas. Houve ainda a ajuda de um grupo de emigrantes que, nos EUA, angariaram fundos para ajudar nesta deslocação.

A Banda Filarmónica Fraternidade Rural de Água de Pau, fundada desde 1863, conta atualmente com 44 elementos, numa faixa etária dos 12 aos 67 anos e é presidida por Maria da Graça Andrade, desde 2008.
Para José Carlos Pereira, manter uma banda e principalmente motivar os jovens e incentiva-los para permanecerem num grupo, não é tarefa fácil. Os problemas financeiros, conciliar a vida pessoal com o trabalho e a música também é uma tarefa árdua, que complica o futuro das bandas regionais.

“É pena que os jovens, por vezes, não aproveitem da melhor maneira. Antigamente tínhamos apenas o futebol e a banda, hoje temos o futebol, as bandas, a Internet, os escuteiros, há tanta coisa que eles ficam indecisos e acabam por não responder a nenhuma”, explicou o tesoureiro da banda.

Para os responsáveis desta filarmónica, a rivalidade e a concorrência que existe, entre as bandas do concelho de Lagoa, permitem incentivar as mesmas e são consideradas “saudáveis”.

Para algumas pessoas o futuro das bandas filarmónicas açorianas está comprometido e muitos são aqueles que acreditam que, brevemente, as mesmas deixarão de existir.

“Eu sou um pouco pessimista, penso que as bandas estão condenadas porque nós não conseguimos fazer uma escola”, referiu José Carlos Pereira, adiantando que era fundamental e necessário existir uma escola de música a nível do concelho de Lagoa, ou que, houvessem mais incentivos aos alunos para que os mesmos continuassem a aprender e a serem formados na área da música. Por outro lado, a Banda Filarmónica Fraternidade Rural, defende que o Governo Regional deveria apoiar mais estas instituições, referindo que a cultura e as tradições são importantes e que, é isso que os turistas que visitam os Açores querem encontrar e conhecer.

É com grande orgulho que a Banda Filarmónica Fraternidade Rural acredita fazer a diferença e destacar-se das outras bandas, pelo facto de todos os seus elementos pertencerem à freguesia de Água de Pau, mantendo, ao longo dos anos, as tradições pauenses.

DL/AS

Categorias: Cultura, Local

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