Espaço saúde: Higiene e Segurança Alimentar

As doenças alimentares são uma preocupação para a Saúde Pública, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, OMS, 1 em cada 3 habitantes dos países industrializados sofre, em cada ano, de doenças agudas transmitidas pelos alimentos, intoxicações e infeções intestinais de origem alimentar, ou seja, provocadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados por algumas bactérias e /ou respetivas toxinas, que se manifestam algumas horas após a ingestão destes alimentos ou água contaminados e pode durar de 1 a 7 dias. Esta situação leva a custos sociais e económicos elevados porque muitas vezes ocasionam absentismo escolar e laboral, custos no tratamento ou de hospitalização, entre outros.

No Verão devido às condições de temperatura ambiente mais elevada que favorece a multiplicação dos microrganismos presentes nos alimentos as intoxicações alimentares são mais frequentes, pelo que é necessária uma maior atenção e cuidados na confeção e conservação dos alimentos nesta época do ano.

Os alimentos podem ser contaminados com microrganismos aquando da sua produção, preparação, armazenamento e exposição. Estes microrganismos provocam alterações superficiais e/ou profundas dos produtos o que se traduz na diminuição da sua qualidade e tempo de conservação.

Muitos destes microrganismos são causadores de doença nos consumidores e manipuladores de alimentos sendo os responsáveis por intoxicações e infeções alimentares. Existem vários tipos de bactérias, vírus e fungos que podem contaminar os alimentos e levar ao aparecimento de doença, os sintomas variam em função do tipo de microrganismo e da quantidade de alimento ingerida, normalmente são falta de apetite, náusea, dor abdominal, diarreia, vómitos, febre e dor de cabeça. As pessoas mais vulneráveis a este tipo de infeções são as crianças e os idosos.

As medidas de higiene e segurança alimentar quando efetivas reduzem e evitam a intoxicação/infeção alimentar, portanto aconselho as pessoas a terem sempre presentes cuidados como: lavar as mãos antes, durante e depois de manipular os alimentos, ou sempre que for necessário, manter bem limpos e acondicionados todos os utensílios, lavar todas as frutas e legumes em água corrente, guardar legumes e frutas em sacos plásticos na parte mais baixa do frigorífico, manter as mesas e bancadas sempre limpas, limpar o fogão sempre depois de utilizado, evitar a exposição desnecessária dos alimentos, manter o lixo sempre tapado e bem acondicionado.

Separe carne e peixe crus de outros alimentos, utilize diferentes utensílios como tabuas de corte e facas para alimentos crus e alimentos cozinhados, enquanto faz as compras separe alimentos crus de cozinhados e tenha atenção evite contato entre congelados e alimentos quentes, no frigorífico separe carne e peixe crus de alimentos já confecionados para evitar contaminação cruzada, utilize recipientes com tampa ou que permitam isolar os diferentes alimentos, cozinhe bem os alimentos em especial carne, peixe e ovos, não deixe alimentos cozinhados á temperatura ambiente mais de 2 horas, não armazene alimentos durante longos períodos de tempo, mesmo no frigorífico, não descongele à temperatura ambiente, mas sim no frigorífico.

Consuma alimentos variados e frescos, evite o consumo de alimentos com data de validade expirada, não consuma conservas cujas embalagens estão abauladas ou danificadas, lave frutas e legumes antes de consumir, especialmente se forem consumidos crus. As pessoas ao cozinharem devem manter as mãos limpas, cabelos apanhados e evitarem o uso de anéis e pulseiras sendo aconselhados o uso de avental e luvas.

A água da torneira é potável no entanto deve ser fervida quando for para a alimentação de recém-nascidos e pessoas imunodeprimidas por exemplo.

Existem países onde é desaconselhada a utilização da água na alimentação, pelo que deve ser consumida apenas água engarrafada.

A alimentação é essencial à vida e faz parte do quotidiano de todos nós a aquisição, manipulação, confeção e armazenamento de alimentos de forma a suprir as nossas necessidades nutricionais e tudo o que lhes está inerente pelo que devemos ter os cuidados de higiene e segurança alimentar evitando intoxicações/infeções alimentares.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2017

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