Manuel José Tavares Canário: o professor e compositor musical lagoense

Manuel José Tavares Canário foi o terceiro dos dez filhos de Manuel José Tavares e de D. Maria da Glória Nunes Algarvio, tendo nascido a 29 de janeiro de 1866. Na verdade, foram dez os filhos do dito casal, sendo que, um deles, foi o ilustre padre João José Tavares, reconhecido padre e historiador do concelho de Lagoa.

Mas a grande família não deu origem a só um membro ilustre: Manuel José Tavares Canário também se destacou, existindo, inclusive, atualmente, uma escola com o seu nome.

Apresentando-se a nós como o verdadeiro protótipo de artista e de benemérito, o mesmo era, também à semelhança do seu irmão, completamente apaixonado pela música, tendo aprendido as primeiras letras e os primeiros rudimentos de música com o seu irmão, precisamente – o já referido padre João José Tavares.

Frequentou o Seminário de Angra, dos 18 aos 23 anos, sem se completar essa vocação sacerdotal na sua vasta pessoa. Só a música e o ensino da mesma seriam a sua verdadeira vocação, embora nunca tenha tido qualquer diploma musical que o houvesse valorizado, uma vez que nunca frequentou nenhum curso que lhe permitisse obter algum aperfeiçoamento mais profissional no ramo da música. Contudo, seguiu a sua grande intuição e impôs-se!

Descrito como alegre e bondoso, pouco materialista, viveu em função da música, tendo fundado uma banda de música que hoje é conhecida por Sociedade Filarmónica Estrela D´Alva. Fundou esta juntamente com o seu irmão, o padre João José Tavares, a 2 de fevereiro de 1887, embora esta data esteja envolvida em alguma polémica. O mesmo Manuel José Tavares Canário aparece como o primeiro regente da banda.

Para além desta banda sediada atualmente em Santa Cruz, instituiu também uma outra na Vila da Povoação, colaborou com duas outras nos Mosteiros, bem como, em Ponta Delgada, ministrou as suas lições de solfejo e de harmonia, de canto, de piano e dos demais instrumentos de teclas, de cordas e de sopro que se tocavam na altura.

Em tempos funcionário da Câmara Municipal de Ponta Delgada, tinha, a dada altura, uma vida agitada: as lições de música que coordenava em Ponta Delgada e em casas particulares, assim como os sucessivos trabalhos de organização de agrupamentos musicais, bem como, obviamente, os ensaios dos mesmos.

Diz-nos Francisco Carreiro da Costa no seu discurso proferido em 1966, na sequência do testemunho dos discípulos de Manuel José Tavares Canário, que o mesmo “tinha uma maneira diferente, muito sua, de ensinar, a ponto de todos serem fatalmente tomados pelo sortilégio da sua simpatia pessoal e pelo encanto da sublime arte da música”.

Verdadeiro artista e um autêntico benemérito da cultural musical no meio micaelense, foi-lhe dirigida uma homenagem pela Câmara Municipal de Lagoa aquando do 1º centenário do seu nascimento, tendo falecido a 13 de dezembro de 1917.

JTO

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