Espaço saúde: Falando de sífilis

Proponho-me a um breve esclarecimento sobre uma patologia que tem sido notificada com frequência e que talvez esteja um pouco esquecida, ou mesmo seja, desconhecida por uma grande maioria da população a – sífilis-.

 A sífilis é uma doença infeciosa de transmissão sexual causada pela espiroqueta Treponema pallidum. É transmitida principalmente por contato sexual, a doença pode ser transmitida por beijar uma lesão, por sexo oral, vaginal e anal. A probabilidade de contrair a doença após contato com lesão é alta uma vez que a bactéria é capaz de atravessar membranas mucosas intactas ou pele lesionada.

Pode ser transmitida durante a gravidez de uma mãe para o feto, sífilis congénita.  É efetuado exame para rastreio da sífilis nas consultas pré-natais ou de gravidez. O tratamento na gravidez com penicilina G benzatina previne o desenvolvimento da doença congênita.

Para além do contagio por via sexual, de mãe-filho, pode ocorrer contagio através de transfusão sanguínea.

Os sinais e sintomas desta infeção variam em função do estadio do seu desenvolvimento no organismo. Estão descritos quatro estadios, o primeiro é caraterizado pelo aparecimento de uma lesão no local de contágio. Esta lesão é uma ulceração da pele indolor, não pruriginosa, ou seja, não causa comichão, e é dura ao toque. Talvez por isso seja também conhecida por “cancro duro” e aparece entre 3 a 90 dias após o contato com pessoa infetada. Quando não é tratada evolui para o estadio secundário caraterizado por uma erupção cutânea, ou fogagem sifilítica, difusa por todo o corpo podendo fazer-se acompanhar por ulceras na boca e vagina e que aparece de 1 a 6 meses após a lesão primária ter desaparecido. Esta erupção é vermelha rosácea e as lesões atingem também as palmas das mãos e as solas dos pés.

A sífilis pode ficar latente no organismo durante vários anos sem causar qualquer sintoma, no entanto o individuo é portador e infecioso, fase de latência. No estadio terciário a doença manifesta-se por sintomas neurológicos ou cardíacos, muitas vezes confundidos com outras patologias.

O tratamento de primeira linha para a sífilis é a penicilina G benzatina, em caso de pessoas alérgicas a este antibiótico são prescritos outros também eficazes.

Não existe vacina contra esta doença, sendo a prevenção a medida a tomar, devem as pessoas evitarem comportamentos de risco como relações sexuais sem preservativo, que embora não confira 100% de eficácia contra o contagio, minimiza bastante, evitarem promiscuidade e recurso á prostituição. No caso de identificarem sinais e sintomas de sífilis ou terem qualquer desconfiança em ter contraído uma infeção sexualmente transmissível, devem recorrer de imediato ao seu médico.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de agosto de 2017

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