EBI de Água de Pau: Teatro na escola: uma casa de escritores à maneira de um reality show

“Gil Vicente é o meu nome. Adoro escrever, cantar e dançar, rir e criticar no teatro popular. Mas uma coisa eu também sei, mais importante do que entreter o rei, do que festejo ou cultura: eu sou louco por literatura, é sinónimo de aventura, o tédio e a tristeza cura. Eu adoro a leitura! As palavras e as histórias ligam-me às minhas memórias, o livro é mais que uma partitura, eu adoro a leitura!
(Excerto da música da personagem Gil Vicente na peça “A Casa dos Escritores”)

“Esta é a voz”, assim começa a peça apresentada no encerramento da Semana da Leitura da EBI de Água de Pau, no passado dia 31 de março, lembrando a sua homónima do conhecido programa televisivo.

Mas esta voz, a dos alunos da turma de Teatro do 9º A, soou num timbre diferente: ambiciosa e consciente das dificuldades que tinha à frente, procurou conquistar um público escolar pouco adepto da cultura através do humor, da música, da atualidade dos temas que levou à cena. A seu favor, teve uma dose de autoestima assegurada pelo sucesso do projeto dramático apresentado no final do 1º período, dezenas de aulas de jogos dramáticos e ensaios e um naipe de atores dedicados e talentosos. Beatriz Veloso, Beatriz Carreiro, João Medeiros, Mariana Almeida, Mariana Freitas, Marta Cabral, Matilde Cabral, Neuza Coelho e Sara Almeida encarnaram com originalidade e engenho um conjunto de escritores portugueses de várias épocas, reunidos num só espaço e num só tempo, numa casa da literatura, o acolhimento de conhecidos autores depois da morte. A docente Rita Matias completou o elenco, vestindo-se de D. Palmira, a empregada da casa inesperadamente pianista.

Nem tudo se passou, contudo, como nos manuais de Português, neste contacto próximo entre o público escolar e as personalidades literárias da peça “A Casa dos Escritores”, pois, para além das obras, dos factos biográficos e das frases mais célebres, desvendaram-se os vícios e os segredos mais impensados das vedetas da peça. E que melhor forma existe de ganhar popularidade?

Tudo somado, a Biblioteca Escolar, promotora da Semana da Leitura e dos seus propósitos de melhorar os índices de leitura e literacia e disseminar o “prazer de ler”, tema deste ano, desafiou convenções e saiu a ganhar com a sua inovadora tática: fazer do teatro uma outra forma de ler e de conhecer Camões, Sophia, Natália Correia e outros mais. Aproximar as celebridades literárias das estrelas televisivas ou do mundo da música, mais acessíveis e interessantes na perspetiva dos alunos.

A repetição da peça, no dia 26 de maio por ocasião do intercâmbio com a Escola Básica João Villaret, trouxe uma nova personagem em honra dos convidados, o próprio João Villaret, um dos maiores divulgadores da poesia portuguesa, interpretado pelo aluno do Clube de Expressões Luís Aquino, que abrilhantou o espetáculo com o seu inegável talento e uma “Procissão” cantada em coro pelo público mais velho.

Em estreia na escola este ano letivo, o Teatro aceitou o desafio de misturar e reinventar a cultura literária e popular, o antigo e o moderno, a literatura e a música, com uma voz em simultâneo muito sua e muito da escola, da comunidade: a voz de Água de Pau.

A equipa da Biblioteca

Categorias: EBI Água de Pau

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