Espaço saúde: Hepatite A

Nos últimos meses e a par com outras doenças, os serviços de saúde têm emitido alertas sobre a hepatite A. Em Portugal até maio de 2017 foram notificados 242 casos de hepatite A. Aproveito este espaço para esclarecer os leitores sobre este assunto.

Por definição hepatite é toda e qualquer inflamação do fígado que pode ser assintomática, por vezes a pessoa só sabe, por acaso, através de análises laboratoriais, ou pode manifestar-se de forma fulminante e fatal, situação esta, mais frequente em formas agudas da doença.

As hepatites podem ser de origem viral como são exemplos a hepatite A, B, C, entre outras, de origem tóxica devido a medicamentos, álcool, etc. e devido a distúrbios metabólicos. Embora com causas distintas todas as hepatites levam à destruição das células do fígado.

A hepatite A é uma infeção aguda, causada por um vírus designado por vírus da hepatite A (VHA), esta infeção pode ser assintomática, subclínica ou resultar num quadro agudo, cujos sinais e sintomas são: febre, mal-estar, icterícia (coloração amarela da pele e conjuntivas), colúria (urina escura), astenia (falta de forças), anorexia (falta de apetite), náuseas, vómitos e dor abdominal. A frequência e gravidade dos referidos sinais e sintomas dependem, geralmente, da idade do doente.

O principal modo de transmissão é por via fecal-oral através da ingestão de alimentos ou água contaminados, ou por contacto próximo com pessoas infetadas. Nesta perspetiva são considerados grupos de risco: familiares ou parceiros sexuais de pessoas infetadas; pessoas que não estejam vacinadas ou que não tenham os anticorpos necessários; profissionais de saúde; viajantes para países menos desenvolvidos onde a doença é endémica; toxicodependentes que usam agulhas não esterilizadas; pessoas que trabalham na recolha e processamento de lixo e nos esgotos; homossexuais masculinos; frequentadores e pessoal que trabalha em instituições comunitárias, nomeadamente infantários, escolas, refeitórios, entre outras.

Existem várias medidas eficazes na prevenção da hepatite A, estas medidas passam por uma higiene cuidada dos legumes, frutas e verduras a serem consumidas, o consumo de água potável e engarrafada, evitando-se, portanto, a utilização de águas potencialmente contaminadas, a lavagem cuidada e frequente das mãos, utilização de preservativo nas relações sexuais, não partilhar seringas e agulhas, evitar o consumo excessivo de álcool, medicamentos e drogas. O acompanhamento nas consultas pré-natal e de gravidez, bem como na consulta do viajante para as pessoas que pretendem viajar para América Latina, África e Ásia são importantes no respetivo aconselhamento e prevenção da transmissão da doença. Para além das medidas referidas existe vacina anti hepatite A que deverá ser administrada sempre que a pessoa cumpra determinados critérios de acordo com a avaliação médica. Após prescrição da vacina a pessoa deve dirigir-se ao Centro de Saúde de Ponta Delgada a fim de ser vacinada. A vacina anti hepatite A é gratuita, de dose única e confere imunidade permanente.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de julho de 2017

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