Manuel de Medeiros Guerreiro: o filho de Santa Cruz que chegou a bispo!

A 12 de abril de 1891 nasce, na freguesia de Santa Cruz, D. Manuel de Medeiros Guerreiro. Filho prodigioso da sua terra, era filho de Manuel de Medeiros Guerreiro e de D. Maria da Glória.

Distinto aluno do Seminário de Angra, onde foi admitido em 1904, acabou por ser ordenado presbítero a 24 de agosto de 1913. Parte, então, para Roma onde foi aluno do Colégio Português, doutorando-se, posteriormente, em Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, na qual também obteve o bacharelato em Direito Canónico.

Voltou aos Açores, região que o viu a assumir, durante 18 anos, a docência no Seminário Diocesano, de que foi perfeito um ano e, em 1928, reitor daquele estabelecimento de formação sacerdotal. Foi também padre na antiga colegiada de Nossa Senhora da Conceição, em 1920.

Esteve na origem, em Angra, da Juventude Católica de N. S. da Conceição, que exerceu uma ação admirável naquele meio, sendo também responsável pelo estabelecimento do Corpo Nacional de Escutas.

Deixando muitas saudades em Angra do Heroísmo, onde, após a sua partida, não escassearam saudosas manifestações, o mesmo acabou por ser nomeado bispo de S. Tomé de Meliapor, na Índia, pelo Papa Pio XI, a 10 de abril de 1937, cuja sagração fez-se a 15 de agosto de 1937, na Basílica do Bom Jesus, em Goa, junto do túmulo de S. Francisco Xavier, realizando, durante a sua vigência como bispo na Índia, uma obra considerada por todos como honrosa.

Marcando a sua passagem pela Índia, deixa, nesse país, indelével o seu legado.

D. Manuel de Medeiros Guerreiro era aclamado como sendo um fiel e ilustre servo do Senhor, um homem com talento, intelecto, com um doce temperamento e com a sua tão inata capacidade de lidar humoristicamente com a juventude.

Extinto o Padroado Português sobre as dioceses de Meliapor e de Cochim, no ano de 1950, D. Manuel foi transferido, por bula de Pio XII, para Nampula, em Moçambique, tomando posse a 15 de maio do mesmo ano e incrementando, aí, a criação de novas missões no vasto território do seu bispado, tendo, portanto, um empenhamento missionário deveras apreciável. Erigiu também o seminário maior do Bispado de Nampula – obra de extrema relevância para o ensino religioso, considerada “a menina dos olhos do Senhor Bispo de Nampula” -, proporcionou novas melhorias no colégio-liceu Vasco da Gama, assim como novas paróquias. Inclusive, o mais importante templo de Nampula, a Catedral de Nossa Senhora de Fátima, inaugurado solenemente a 23 de agosto de 1956, foi sagrado por D. Manuel. Honrado e reconhecido pelo seu trabalho missionário, através de uma célebre carta datada de 24 de julho de 1962, pelo Papa João XIII, diretamente a partir do Palácio do Vaticano, D. Manuel de Medeiros Guerreiro acabou sendo agraciado pelo Presidente da República, Américo Tomás, por ocasião do seu jubileu episcopal em 1962, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Império.

Pessoa de extrema simplicidade e generosidade, este filho legítimo de Santa Cruz faleceu nos braços da sua freguesia natal a 10 de abril de 1978, com 87 anos de idade.

JTO
(Publicado na edição impressa de junho de 2017)

Categorias: Cultura, Os de cá

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